Agency FWD
Tecnologia 30 de maio de 2026 às 13:00 · Redação FWD

Anatel inicia consulta pública para regulamentar cabos submarinos no Brasil

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu uma tomada de subsídios para discutir a regulação dos cabos submarinos, infraestrutura crucial que transporta 99% do tráfego internacional de dados do Brasil. A iniciativa busca criar um modelo regulatório moderno e seguro, com impactos diretos na segurança cibernética, resiliência da infraestrutura digital e custos operacionais para empresas brasileiras que dependem de conectividade internacional.

Anatel inicia consulta pública para regulamentar cabos submarinos no Brasil
Foto: Roy Serafin no Pexels

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou nesta semana uma tomada de subsídios para coletar informações e sugestões sobre a regulamentação dos cabos submarinos no Brasil. A iniciativa, que faz parte da Agenda Regulatória 2025-2026 da Agência, visa preencher um vácuo normativo em uma infraestrutura considerada crítica, responsável por aproximadamente 99% do tráfego internacional de dados do país. A discussão abrange temas como segurança física e cibernética, concorrência e o papel desses cabos para a soberania digital e o avanço da inteligência artificial no país.

O que mudou na prática

Em 26 de maio de 2026, a Anatel lançou oficialmente a Tomada de Subsídios nº 2/2026, abrindo um prazo de 45 dias para que a sociedade, o setor produtivo, a academia e órgãos públicos contribuam com a construção de um novo modelo regulatório. O conselheiro Alexandre Freire, presidente do Comitê de Infraestrutura de Telecomunicações da Anatel, destacou que a agência busca entender a extensão de sua atuação sobre essas redes internacionais de conectividade, dada a crescente dependência do Brasil de uma infraestrutura digital estratégica.

Atualmente, a regulamentação dos cabos submarinos no Brasil é considerada fragmentada, sem uma política estruturada específica por parte da Anatel. A tomada de subsídios questiona a adequação do arcabouço regulatório existente, a necessidade de monitoramento e transparência (incluindo a adoção de cabos com capacidade de sensoriamento, os SMART cables), e arranjos de governança e coordenação institucional entre os diversos atores estatais e a iniciativa privada.

A discussão ganhou força a partir de agosto de 2024, quando, durante a atualização do Regulamento de Segurança Cibernética Aplicada ao Setor de Telecomunicações, o conselheiro Freire defendeu a ampliação do controle regulatório sobre as operadoras de cabos submarinos, devido à criticidade dessa infraestrutura.

Impacto e por que importa

Para as empresas brasileiras, especialmente aquelas com forte presença digital ou dependência de conectividade internacional, esta iniciativa da Anatel representa um ponto de virada. A infraestrutura de cabos submarinos é a base para serviços essenciais como telecomunicações, computação em nuvem, serviços financeiros e aplicações governamentais. Qualquer alteração no marco regulatório pode ter impactos significativos em vários níveis:

  • Segurança e Resiliência: Um modelo regulatório mais robusto pode fortalecer a segurança física e cibernética dos cabos, reduzindo vulnerabilidades e riscos de interrupções que poderiam paralisar operações e gerar perdas financeiras substanciais. A Anatel busca uma abordagem integrada de resiliência, envolvendo segurança física, cibernética, monitoramento e resposta a incidentes.
  • Custos Operacionais: A nova regulamentação pode influenciar os custos de implantação, operação, manutenção e reparo dos cabos. Empresas de telecomunicações e provedores de internet podem enfrentar novos requisitos que se traduzam em investimentos adicionais ou ajustes nas tarifas de serviço, impactando, em última instância, os custos de conectividade para todos os usuários corporativos.
  • Concorrência e Investimento: A previsibilidade regulatória é crucial para atrair novos investimentos no setor. Um marco claro e moderno pode incentivar a expansão da infraestrutura, enquanto regras ambíguas ou excessivamente onerosas podem desestimular o capital estrangeiro e a inovação.
  • Soberania Digital: Em um cenário de avanço da inteligência artificial e expansão de data centers, a governança dos cabos submarinos é vital para o posicionamento do Brasil na economia digital global. A dependência de uma infraestrutura sem coordenação institucional e proteção regulatória adequadas pode gerar riscos à soberania digital do país.

O que monitorar e próximos passos

Empresas que dependem intensamente da infraestrutura digital devem monitorar de perto a evolução desta tomada de subsídios. A participação ativa no processo de consulta pública é fundamental para garantir que as preocupações e necessidades do setor privado sejam consideradas na formulação da nova regulamentação. O prazo de 45 dias para contribuições, iniciado em 26 de maio, estabelece uma janela importante para influenciar o futuro da conectividade no Brasil. Os próximos passos incluem a análise das contribuições recebidas pela Anatel e a eventual elaboração de propostas de regulamentação. As decisões tomadas terão implicações duradouras para a competitividade, segurança e resiliência da infraestrutura digital brasileira, afetando diretamente a capacidade das empresas de operar, inovar e se expandir em um ambiente cada vez mais conectado. É essencial que as empresas avaliem seus riscos e estratégias de cibersegurança e infraestrutura, antecipando-se a possíveis mudanças regulatórias e seus impactos nos negócios.

Fontes consultadas

#anatel#cabos-submarinos#regulação#infraestrutura-digital#cibersegurança#telecomunicações

Mais em Tecnologia

Tecnologia 30 de jun. de 2026 · Redação FWD

Queda de performance em modelos de IA da OpenAI e Anthropic preocupa empresas

Empresas brasileiras que utilizam modelos de inteligência artificial da OpenAI e Anthropic enfrentam desafios com a recente queda de performance observada em ferramentas como GPT-5.6-sol e Claude Opus 4.8. A degradação afeta a eficiência operacional e a confiabilidade de aplicações críticas, com especulações sobre possíveis cortes de custos por parte das big techs, exigindo reavaliação de estratégias e orçamentos de IA.

Tecnologia 30 de jun. de 2026 · Redação FWD

TSMC amplia aumento de preços para todos os nós avançados de chips, elevando custos globais de tecnologia

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), maior fabricante de chips por contrato do mundo, notificou clientes sobre aumentos de preços que se estendem por quase todo o seu portfólio de fabricação avançada. As elevações, que variam de 5% a 10%, abrangem não apenas a tecnologia de 3 nanômetros, mas também nós mais antigos como 5nm e 7nm, impactando cerca de 74% da receita de wafers da empresa e ameaçando margens de lucro em toda a cadeia de suprimentos de tecnologia.

Tecnologia 29 de jun. de 2026 · Redação FWD

TSMC e Winbond se unem para fortalecer cadeia de DRAM para chips de IA

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) e a Winbond Electronics anunciaram uma parceria estratégica para reconstruir a cadeia de suprimentos local de DRAM. A colaboração visa reduzir a dependência de grandes fabricantes de memória e integrar a tecnologia Wafer-on-Wafer (WoW) da Winbond, essencial para chips de inteligência artificial, prometendo maior desempenho e eficiência energética.