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Tecnologia 14 de junho de 2026 às 13:00 · Redação FWD

Apple adia lançamento de recursos de IA para iPhone e iPad na União Europeia devido ao DMA

A Apple anunciou que os novos recursos de Siri AI e Apple Intelligence não serão lançados em iPhones e iPads na União Europeia este ano, citando a Lei dos Mercados Digitais (DMA) do bloco. A empresa alega que as exigências regulatórias forçariam o comprometimento da privacidade e segurança do usuário, enquanto a Comissão Europeia refuta, afirmando que a decisão é exclusiva da Apple.

Apple adia lançamento de recursos de IA para iPhone e iPad na União Europeia devido ao DMA
Foto: Calil Encarnación no Pexels

A Apple anunciou que os novos recursos de inteligência artificial, incluindo a Siri AI e o pacote Apple Intelligence, não estarão disponíveis para iPhones e iPads na União Europeia (UE) no lançamento previsto para este ano. A decisão, divulgada pela empresa, é atribuída às incertezas regulatórias impostas pela Lei dos Mercados Digitais (DMA) do bloco europeu.

O que mudou na prática

Os usuários de iPhones e iPads na UE não terão acesso aos novos recursos de Siri AI, à Visual Intelligence expandida, às ferramentas de escrita integradas e ao modo Siri na câmera, que fazem parte do iOS 27 e iPadOS 27. A Apple afirma que a interpretação da Comissão Europeia sobre a DMA exigiria que a empresa abrisse o acesso “quase ilimitado” aos dados dos dispositivos dos usuários para qualquer assistente virtual, sem as “proteções essenciais” de privacidade e segurança que a Apple considera fundamentais. A empresa propôs soluções, como um plano de implementação gradual de 18 meses e um “Trusted System Agent” para intermediar o acesso de terceiros, mas todas foram rejeitadas pela Comissão Europeia.

Esta é a segunda vez que recursos do Apple Intelligence são adiados na UE devido à DMA. Uma rodada inicial de funcionalidades, lançada nos EUA em outubro de 2024, só chegou à Europa em abril de 2025, após meses de negociações.

Em contrapartida, a Comissão Europeia contestou a justificativa da Apple, declarando que “nada na DMA proíbe a Apple de introduzir novos produtos na UE” e que a decisão de adiar o lançamento é “exclusiva da Apple”. O porta-voz da Comissão, Thomas Regnier, afirmou que a Apple buscou uma isenção de 18 meses em vez de uma solução compatível, o que não é uma opção, pois impediria que outros agentes de IA tivessem uma chance igual de serem escolhidos pelos usuários de iPhone.

Não há um cronograma definido para quando esses recursos estarão disponíveis para usuários de iOS e iPadOS na União Europeia.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

Para empresas brasileiras que desenvolvem aplicativos para o ecossistema Apple ou que planejam integrar suas soluções com as funcionalidades de IA da Apple, este atraso na UE é um sinal de alerta. Ele demonstra como a fragmentação regulatória pode impactar a paridade de recursos em diferentes mercados. Empresas com operações globais ou planos de expansão internacional precisam considerar que a inovação tecnológica, especialmente em IA, está cada vez mais sujeita a escrutínio regulatório rigoroso.

A imposição de regras como a DMA na Europa, e a Lei de IA em desenvolvimento, cria um ambiente onde a conformidade legal pode ditar a velocidade e a forma de lançamento de produtos e serviços. Isso significa que a estratégia de entrada em mercado e o roadmap de produtos devem ser flexíveis e adaptáveis a diferentes regimes regulatórios, o que pode aumentar custos e complexidade. Para empresas brasileiras, a lição é clara: a compreensão e a antecipação das regulamentações locais e internacionais, como a LGPD no Brasil e a DMA na UE, são cruciais para evitar atrasos e garantir a competitividade.

Além disso, o debate entre Apple e a Comissão Europeia sobre privacidade versus interoperabilidade ressalta a tensão crescente entre inovação e proteção de dados. Empresas que utilizam ou desenvolvem IA devem priorizar a segurança e a privacidade desde a concepção de seus produtos, pois a falta de transparência ou a percepção de risco pode gerar resistência regulatória e do consumidor. A capacidade de demonstrar conformidade e um compromisso robusto com a privacidade será um diferencial competitivo.

O que monitorar e próximos passos

Empresas brasileiras devem monitorar de perto os desdobramentos das negociações entre a Apple e a Comissão Europeia, pois o resultado pode estabelecer precedentes para a aplicação da DMA e de outras leis de IA. Fique atento a:

  • Novas propostas da Apple ou concessões da UE: Qualquer acordo pode indicar caminhos para a conformidade em cenários semelhantes.
  • Posicionamento de outras big techs: A forma como Google, Meta e outras empresas se adaptam a regulamentações semelhantes pode oferecer insights sobre as melhores práticas.
  • Evolução da regulamentação de IA no Brasil: A discussão sobre um marco legal da IA no Brasil pode ser influenciada por esses debates internacionais, exigindo que as empresas se preparem para requisitos de governança, transparência e privacidade.

Para as empresas que dependem de plataformas digitais, é essencial revisar suas estratégias de lançamento de produtos e serviços para garantir que a conformidade regulatória seja um pilar central, e não um obstáculo tardio. Investir em equipes jurídicas e de compliance com expertise em tecnologia e privacidade será cada vez mais vital para navegar neste cenário complexo.

Fontes consultadas

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