G7 estabelece metas de diversificação para minerais críticos, posicionando Brasil como fornecedor estratégico
A Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, França, concluiu com um compromisso firme dos líderes em diversificar as cadeias de suprimentos de minerais críticos, visando reduzir a dependência de fornecedores únicos. O grupo estabeleceu a meta de diminuir para menos de 60% a dependência de qualquer fornecedor externo para terras raras e ímãs permanentes até 2030, lançando a Aliança G7 de Resiliência e Produção de Minerais Críticos.
A recente Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, França, de 15 a 17 de junho de 2026, marcou um ponto de virada significativo para a segurança econômica global, com os líderes das sete maiores economias do mundo comprometendo-se formalmente a diversificar as cadeias de suprimentos de minerais críticos. A decisão visa reduzir a alta concentração de mercado e as vulnerabilidades decorrentes da dependência de poucos fornecedores, particularmente a China, que atualmente domina a produção e o processamento de muitos desses materiais essenciais. O Brasil, presente no evento como país convidado, posiciona-se ativamente para capitalizar essa mudança estratégica.
O que mudou na prática
Os líderes do G7 adotaram uma declaração focada na segurança das cadeias de suprimentos de minerais críticos, reconhecendo o papel estratégico desses materiais para a prosperidade econômica e a segurança nacional, incluindo os setores digital e de energia. O principal desdobramento é o estabelecimento de uma meta ambiciosa: reduzir a dependência de qualquer fornecedor externo único para terras raras e ímãs permanentes para menos de 60% até 2030, com a ambição de atingir 50% o mais rápido possível. Para outros minerais críticos, os ministros relevantes foram incumbidos de definir metas específicas de redução de dependência até o final do ano.
Para apoiar esses objetivos, o G7 lançou a Aliança de Resiliência e Produção de Minerais Críticos, um mecanismo de cooperação que busca coordenar a cooperação industrial, o estoque e a reciclagem. A iniciativa também prevê a mobilização de capital público e privado para projetos de produção, processamento e reciclagem em toda a cadeia de valor. Além disso, o G7 expressou preocupação com políticas e práticas não mercantis e coerção econômica, incluindo restrições arbitrárias de exportação, que podem minar a segurança econômica.
Impacto e por que importa para decisões de negócio
Essa guinada estratégica do G7 tem implicações profundas para empresas brasileiras, especialmente aquelas nos setores de mineração, energia e tecnologia. O Brasil detém a segunda maior reserva global de terras raras e outros minerais críticos, como nióbio e grafeno. A busca por diversificação por parte das economias avançadas abre uma janela de oportunidade sem precedentes para o país se consolidar como um fornecedor confiável e estratégico.
Para as mineradoras brasileiras, a demanda crescente e o compromisso de diversificação do G7 podem se traduzir em:
- Aumento da demanda e preços: A busca por fontes alternativas deve impulsionar a demanda por minerais críticos brasileiros, potencialmente elevando os preços e a rentabilidade do setor.
- Atração de investimentos estrangeiros diretos: A Aliança G7 e as políticas de desrisking visam mobilizar capital privado para o desenvolvimento de novas capacidades de produção e processamento. Empresas brasileiras podem atrair investimentos significativos para expandir suas operações e desenvolver infraestrutura de processamento, agregando valor localmente.
- Fortalecimento da posição geopolítica: O governo brasileiro já manifestou a intenção de transformar o país em um dos principais fornecedores de matérias-primas essenciais para a indústria de tecnologia e a transição energética global. Essa agenda se alinha diretamente com os objetivos do G7, fortalecendo a posição do Brasil nas negociações comerciais e diplomáticas.
- Desafios e exigências: A oportunidade vem acompanhada de exigências por padrões mais elevados de sustentabilidade, transparência e governança. O G7 enfatizou a importância de alinhar as práticas de extração com padrões trabalhistas internacionalmente reconhecidos e combater o trabalho forçado. Empresas brasileiras precisarão garantir conformidade com esses critérios para acessar os mercados do G7.
Embora o Brasil tenha divergido de algumas declarações do G7, como a de parcerias de desenvolvimento internacional, por considerá-la insuficiente em questões ambientais e de dívida externa, a pauta de minerais críticos representa uma convergência de interesses. O país busca agregar valor no ponto de extração e expandir a cooperação internacional em áreas críticas para sua economia.
O que monitorar e próximos passos
Empresas com exposição internacional ou cambial devem monitorar de perto a implementação das decisões do G7 e as reações do governo brasileiro:
- Detalhes da Aliança G7: Observar os mecanismos de cooperação, os critérios de investimento e os países prioritários para a diversificação. Isso indicará onde os investimentos e as parcerias serão mais direcionados.
- Políticas domésticas brasileiras: Acompanhar as iniciativas do governo para criar um ambiente favorável ao investimento no setor de minerais críticos, incluindo regulamentação, incentivos fiscais, licenciamento ambiental e desenvolvimento de infraestrutura.
- Desenvolvimento de capacidade de processamento: A agregação de valor local, por meio do processamento de minerais, é crucial para maximizar os benefícios econômicos. Monitorar investimentos em tecnologias de processamento e refino no Brasil.
- Padrões ESG e certificações: A conformidade com padrões ambientais, sociais e de governança (ESG) será um diferencial competitivo. Empresas devem investir em práticas sustentáveis e buscar certificações que atestem a origem e a conformidade de seus produtos.
- Reações da China: A China, como principal player no mercado de minerais críticos, provavelmente responderá a essa estratégia de diversificação. Monitorar possíveis contramedidas ou ajustes em suas próprias políticas comerciais.
O cenário geopolítico atual, marcado pela busca por resiliência nas cadeias de suprimentos e segurança econômica, coloca o Brasil em uma posição estratégica única. A capacidade de as empresas brasileiras e o governo aproveitarem essa oportunidade dependerá da agilidade em adaptar-se às novas demandas e em fortalecer a competitividade do setor de mineração nacional.
Fontes consultadas
- The outcomes of the G7 Summit in Évian | France in the U.S. · France in the U.S.
- Brazil to discuss war and minerals at BRICS and G7 meetings - Agência Brasil · Agência Brasil
- Brazil Diverges From Most G7 Documents, Says Texts Were Shaped to Avoid Upsetting Trump - 17/06/2026 - Folha · Folha
- G7: Lula to push for development aid, global governance reform - Agência Brasil - EBC · Agência Brasil - EBC
- G7 Recommits to Development, Investment Finance to Drive Shared Prosperity · SDG Knowledge Hub
- Lula Advocates Reducing Inequalities, Inclusive Growth, and AI Regulation at the G7 Summit — Planalto - Portal Gov.br · Planalto - Portal Gov.br
- G7 trade ministers' communiqué | France in the U.S. · France in the U.S.
- This Week in Trade #15: G7 Supply Chain Targets, EU Customs Overhaul, and UK–India Trade - YouTube · YouTube
- The G7, Iran, and Critical Minerals - AAF - The American Action Forum · The American Action Forum
- G7 Countries Commit to Diversifying Critical Minerals Supply Without Deciding Who Bears the Cost - Center on Global Energy Policy at Columbia University SIPA