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Finanças 29 de junho de 2026 às 14:00 · Redação FWD

Open Finance no Brasil atinge 120 milhões de consentimentos e se consolida como ferramenta comercial

O Open Finance no Brasil superou 120 milhões de consentimentos, com cerca de 100 milhões de usuários únicos, segundo relatório do BTG Pactual. O sistema evolui de uma fase regulatória para se tornar uma ferramenta comercial estratégica, impulsionando a aquisição de clientes, aprimorando a análise de crédito e a personalização de produtos para instituições financeiras brasileiras. Grandes bancos agora intensificam seu uso, buscando vantagem competitiva.

Open Finance no Brasil atinge 120 milhões de consentimentos e se consolida como ferramenta comercial
Foto: Yan Krukau no Pexels

O Open Finance no Brasil alcançou a marca de 120 milhões de consentimentos, consolidando-se como uma ferramenta comercial estratégica e superando as expectativas de adoção. A avaliação, divulgada em relatório do BTG Pactual após reunião com a CEO do Open Finance Brasil, Ana Carla Abrão, aponta para uma transição do sistema de uma fase predominantemente regulatória e de infraestrutura para um papel ativo na aquisição de clientes, concessão de crédito e personalização de produtos.

O que mudou na prática

O sistema Open Finance, que permite o compartilhamento de dados financeiros entre instituições com o consentimento do cliente, registrou aproximadamente 120 milhões de autorizações, representando cerca de 100 milhões de pessoas únicas. Além disso, o ecossistema processa cerca de 11 bilhões de chamadas de API (Application Programming Interface) por semana, evidenciando a robustez e a escala da troca de dados.

Essa expansão quantitativa reflete uma mudança qualitativa na percepção e utilização do Open Finance. Inicialmente visto como uma exigência regulatória do Banco Central do Brasil, o sistema agora é reconhecido como um motor de negócios, impulsionando a inovação e a competitividade no setor financeiro. O efeito de rede é notável: quanto mais dados são compartilhados, mais sofisticados se tornam os casos de uso, o que, por sua vez, aumenta o engajamento de consumidores e instituições.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

A transformação do Open Finance em uma ferramenta comercial tem implicações diretas para as estratégias de negócio de bancos, fintechs e outras instituições financeiras.

Para a aquisição de clientes, o acesso consentido a dados de outras instituições permite que as empresas ofereçam produtos e serviços mais alinhados às necessidades e ao perfil de risco de potenciais consumidores, otimizando campanhas e reduzindo custos de prospecção. Na concessão de crédito, o Open Finance aprimora significativamente a análise de risco, especialmente para segmentos como informais e autônomos. Com dados de conta e transações em tempo real, as instituições podem fazer uma estimativa de renda mais precisa e uma avaliação de crédito (underwriting) mais justa e abrangente, mitigando riscos e expandindo o acesso ao crédito para uma parcela maior da população.

A personalização de produtos e jornadas de pagamento também se beneficia enormemente. Ao entender melhor o comportamento financeiro dos clientes, as empresas podem desenvolver ofertas mais relevantes, desde investimentos sob medida até soluções de pagamento inovadoras, aumentando a satisfação e a fidelidade.

Embora novos entrantes no mercado financeiro tenham sido os pioneiros na exploração do Open Finance, os grandes bancos incumbentes estão agora intensificando seu uso. Essa movimentação é estratégica para evitar desvantagens competitivas em inteligência de cliente e oferta de produtos, mostrando que a inovação do Open Finance se tornou um imperativo para todo o setor.

Um ponto de atenção levantado pela gestão do ecossistema é a “replicação” de limites de crédito, onde instituições podem igualar limites já existentes em vez de expandir o acesso a novos créditos. No entanto, o foco principal permanece na otimização e na eficiência que o compartilhamento de dados proporciona.

O que monitorar e próximos passos

O futuro do Open Finance no Brasil dependerá da contínua evolução dos casos de uso e da capacidade das instituições de inovar sobre a infraestrutura existente. A portabilidade do crédito consignado, por exemplo, foi adiada devido à complexidade operacional, incluindo a presença de intermediários e a necessidade de acesso à margem consignável. No entanto, a expectativa é que esses desafios sejam superados à medida que o sistema amadurece.

Empresas devem monitorar de perto as novas funcionalidades e fases do Open Finance, buscando integrar esses dados em suas plataformas e modelos de negócio. Investimentos em tecnologia e análise de dados serão cruciais para extrair o valor máximo do ecossistema. A colaboração entre as instituições e o diálogo contínuo com o Banco Central e a gestão do Open Finance Brasil serão fundamentais para garantir um ambiente seguro, transparente e inovador, que continue a beneficiar tanto os consumidores quanto o mercado financeiro como um todo.

A consolidação do Open Finance como ferramenta comercial é um marco para o setor financeiro brasileiro, sinalizando um caminho de maior inclusão, eficiência e personalização. As empresas que souberem aproveitar essa onda de dados e colaboração estarão à frente na corrida por clientes e na construção de soluções financeiras do futuro.

Fontes consultadas

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