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Geopolítica 15 de maio de 2026 às 12:00 · Redação FWD

BRICS avança em sistema de pagamentos paralelo e exportadores brasileiros começam a calcular impacto cambial

Reunião em Pequim acelera cronograma do novo trilho de liquidação multilateral, com possível operação piloto entre Brasil, China e Rússia ainda em 2026.

Os ministros de Finanças do BRICS concluíram, em Pequim, mais uma rodada de negociação para o sistema de liquidação interbancária paralelo que o grupo articula desde 2024. O cronograma apresentado agora prevê uma operação piloto restrita a transações entre Brasil, China e Rússia ainda no segundo semestre de 2026.

O que está em jogo

O sistema, batizado provisoriamente de BRICS Pay Settlement Layer, não substitui o SWIFT. Opera paralelamente, com objetivo de reduzir a exposição ao dólar em transações comerciais entre os países membros. A liquidação acontece em uma cesta de moedas locais (real, yuan, rupia, rublo, rand) com câmbio referenciado em índice multilateral atualizado a cada 15 minutos.

Para o Brasil, a adesão depende ainda de aprovação do Banco Central. O voto está condicionado a duas garantias técnicas:

  • Reversibilidade: operações precisam poder ser canceladas se houver sanção internacional posterior.
  • Compliance KYC/AML: o sistema precisa cumprir as exigências do GAFI, caso contrário bancos brasileiros se recusam a operar.

Impacto direto pra quem exporta

Para exportadores do agronegócio e da indústria de base, três efeitos imediatos:

  1. Custo de hedge cai se o pagamento já chegar em real, eliminando a etapa de conversão.
  2. Velocidade de liquidação sobe de D+2 (sistema atual via dólar) para D+0 na maioria dos corredores.
  3. Risco político sobe: empresas que operam também com mercados ocidentais vão precisar segregar operações para não ferir sanções secundárias dos EUA.

O que monitorar agora

A decisão do BC brasileiro deve sair em junho ou julho. Bancos privados já pediram, em ofício conjunto, prazo de 12 meses para adaptar sistemas internos antes de operar no piloto.

Empresas com forte exposição a China ou Rússia deveriam rever a cláusula de moeda em contratos vigentes antes do anúncio oficial. Quem assinou em dólar nos últimos meses pode perder a janela de migração.

Fontes consultadas

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