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Geopolítica 15 de maio de 2026 às 12:00 · Redação FWD

Brasil e EUA iniciam negociações para evitar novas tarifas em meio a investigação comercial

Após encontro entre os presidentes Lula e Trump, Brasil e Estados Unidos estabeleceram um prazo de 30 dias para equipes técnicas negociarem e buscarem soluções para as tarifas e a investigação comercial da Seção 301, que ameaça exportações brasileiras em diversos setores.

Brasil e EUA iniciam negociações para evitar novas tarifas em meio a investigação comercial
Foto: Ramaz Bluashvili no Pexels

O Brasil e os Estados Unidos iniciaram um período de 30 dias para negociações técnicas, buscando resolver impasses comerciais e evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A iniciativa surge após o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump, em Washington, nos dias 7 e 8 de maio de 2026, onde a pauta tarifária foi central.

O que mudou na prática

A recente reunião entre Lula e Trump resultou na criação de um grupo de trabalho com o objetivo de alinhar informações sobre o comércio bilateral e esclarecer dúvidas sobre protecionismo. O presidente Lula propôs o prazo de 30 dias para que as equipes técnicas dos dois países debatam as taxas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros e tentem chegar a um acordo. Essa janela de negociação é vista como uma oportunidade para o Brasil ganhar tempo e tentar mitigar os impactos de uma investigação comercial em andamento, conhecida como Seção 301.

A investigação da Seção 301, iniciada em julho de 2025 pela administração Trump, mira diversas práticas brasileiras que os EUA consideram “injustas” ou “discriminatórias”. Entre as acusações estão a regulação do Pix e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, aplicação de leis anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e até mesmo o desmatamento ilegal. O Brasil, por sua vez, contesta a legitimidade da Seção 301, classificando-a como um instrumento unilateral incompatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), e apresentou uma defesa técnica robusta para refutar as acusações.

Historicamente, a ameaça de tarifas americanas já se materializou. Em julho de 2025, uma tarifa de 50% foi anunciada sobre diversos produtos brasileiros. Embora uma decisão da Suprema Corte dos EUA tenha derrubado parte dessas tarifas, o Brasil ainda esteve sujeito a uma taxa de 10%, que termina em julho de 2026. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) reiterou em fevereiro de 2026 que, caso as investigações concluam práticas desleais, as tarifas permanecem como uma ferramenta de retaliação. A expectativa é que o USTR publique suas conclusões finais até julho de 2026.

Impacto e por que importa

Para empresas brasileiras com presença internacional ou exposição cambial, a ameaça e a eventual imposição de tarifas representam um risco significativo. A aplicação de tarifas de 50% em 2025 já provocou uma saída considerável de capital e forçou empresas a reavaliar suas estratégias para o mercado norte-americano, que é o segundo maior destino das exportações brasileiras e o principal para a indústria de transformação.

Setores como o agronegócio foram particularmente vulneráveis. As exportações de carne bovina para os EUA, por exemplo, foram praticamente inviabilizadas por uma tarifa combinada de 74%, afetando grandes frigoríficos como JBS e Marfrig. Empresas como a Minerva Foods tiveram que redirecionar volumes de suas operações no Brasil para plantas em outros países da América Latina, como Argentina, Uruguai e Paraguai, que já possuíam aprovação para o mercado americano, a fim de minimizar o impacto em sua performance consolidada. Outros setores como o de frutas e equipamentos de construção civil também sentiram o peso das barreiras tarifárias, com a Abrafrutas alertando para o risco de colapso do mercado interno caso os produtos não possam ser exportados.

Os Estados que mais sofreram com os efeitos negativos das tarifas foram São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraná. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as exportações brasileiras para o mercado americano caíram 6,7% em 2025, totalizando US$ 37,7 bilhões, reflexo direto das tarifas e do redesenho das cadeias globais de comércio. A persistência da investigação e a possibilidade de novas tarifas criam um ambiente de incerteza que pode desestimular investimentos e dificultar o planejamento de longo prazo para exportadores brasileiros.

O que monitorar e próximos passos

As empresas brasileiras devem monitorar de perto o andamento das negociações entre os governos do Brasil e dos EUA nos próximos 30 dias. O resultado desse diálogo será crucial para definir o cenário comercial a curto e médio prazo. Além disso, a publicação das conclusões finais do USTR, esperada para julho de 2026, será um marco importante.

É fundamental que as empresas avaliem suas cadeias de suprimentos e mercados de destino, buscando diversificação para reduzir a dependência de um único parceiro comercial. O Brasil tem buscado ampliar sua inserção internacional, com a entrada em vigor de novos acordos de livre comércio do Mercosul com a União Europeia, EFTA e Cingapura, que podem expandir a parcela do comércio exterior brasileiro beneficiada por tarifas reduzidas. A cooperação em áreas como minerais críticos e inovação industrial também está na pauta de discussões, o que pode abrir novas oportunidades de parceria e investimento.

Apesar do otimismo diplomático demonstrado após o encontro entre Lula e Trump, a possibilidade de novas tarifas não está descartada. A capacidade de adaptação e a busca por novos mercados e parcerias estratégicas serão essenciais para a resiliência das empresas brasileiras diante desse cenário geopolítico complexo e em constante evolução.

Fontes consultadas

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