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Finanças 17 de maio de 2026 às 14:00 · Redação FWD

Nubank reporta lucro de US$ 871 milhões no 1T26, mas aumento de provisões impacta ações

O Nubank divulgou lucro líquido de US$ 871 milhões no primeiro trimestre de 2026, com receita superando US$ 5 bilhões. Apesar do crescimento robusto da base de clientes e da receita, o aumento de 33% nas provisões para devedores duvidosos (PDD) gerou uma queda de 6,03% nas ações na Bolsa de Nova York, levantando questões sobre a gestão de risco de crédito em um cenário de expansão acelerada.

Nubank reporta lucro de US$ 871 milhões no 1T26, mas aumento de provisões impacta ações
Foto: BM Amaro no Pexels

O Nubank, uma das maiores fintechs da América Latina, anunciou um lucro líquido de US$ 871 milhões no primeiro trimestre de 2026, marcando um crescimento anual de 41% em base FX neutro, uma métrica que desconsidera a variação cambial para refletir o desempenho operacional. A receita total consolidada da companhia atingiu US$ 5,32 bilhões no período, superando pela primeira vez a marca de US$ 5 bilhões em um único trimestre. No entanto, apesar desses resultados positivos e do crescimento da base de clientes para mais de 135 milhões, as ações do Nubank registraram uma queda de 6,03% na Bolsa de Nova York (Nyse) após a divulgação, impulsionada principalmente pelo aumento significativo nas provisões para devedores duvidosos (PDD).

O que mudou na prática

O desempenho financeiro do Nubank no primeiro trimestre de 2026 demonstrou uma expansão contínua em sua operação. O lucro líquido ajustado, que inclui despesas não-caixa e remuneração em ações, atingiu US$ 937 milhões, um aumento anual de 54%. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) encerrou o trimestre em 29%, dois pontos percentuais acima do registrado no mesmo período de 2025. A carteira total de crédito da instituição, que abrange cartões e empréstimos, cresceu 40% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 37,2 bilhões.

Contudo, o ponto de atenção que reverberou negativamente no mercado foi o aumento de 33% nas provisões para devedores duvidosos (PDD), que alcançaram US$ 1,79 bilhão. Esse ritmo de provisionamento superou a expansão da carteira de crédito no período, que foi de 7%. O Itaú BBA destacou em relatório que o banco provisionou 154% da formação de créditos não performados (NPL), elevando o índice de cobertura em 30 pontos percentuais. A receita líquida de juros ajustada ao risco, por sua vez, registrou uma queda de 4% em relação ao trimestre anterior. A base de clientes do Nubank ultrapassou 135 milhões, com crescimento anual de 14%, e a operação no México superou 15 milhões de clientes, tornando-se a terceira maior instituição financeira do país, enquanto na Colômbia, a base se aproxima de 5 milhões de clientes.

Impacto e por que importa

O aumento nas provisões para devedores duvidosos é um indicador crítico para investidores e para a própria gestão do banco. Ele sugere que o Nubank está adotando uma postura mais conservadora em relação à qualidade de seus ativos de crédito, ou que há uma expectativa de deterioração na capacidade de pagamento de seus clientes. Para empresas e investidores, isso é um sinal de que, mesmo em um cenário de crescimento de receita e base de clientes, os riscos associados à inadimplência estão sendo monitorados de perto e precificados no valor das ações.

A queda das ações na Nyse reflete a preocupação do mercado com a sustentabilidade do crescimento em meio a um ambiente de crédito potencialmente mais desafiador. Embora o Nubank tenha demonstrado eficiência operacional, com despesas estáveis em comparação ao trimestre anterior, a necessidade de aumentar as provisões pode impactar a rentabilidade futura se a inadimplência continuar a crescer. A análise do Itaú BBA aponta que, apesar do lucro antes dos impostos ter superado as expectativas, uma alíquota de Imposto de Renda mais alta do que o esperado compensou parte desses ganhos.

Para as empresas brasileiras, especialmente aquelas do setor financeiro ou que dependem de crédito, o movimento do Nubank serve como um termômetro. Ele indica que o ambiente de crédito no Brasil e na América Latina pode estar exigindo maior cautela e provisionamento, o que pode levar a condições de empréstimo mais restritivas ou a um custo de capital mais elevado para as empresas. Rumores infundados sobre a falência do Nubank, que circularam recentemente, foram prontamente desmentidos pela solidez de seus resultados e planos de expansão.

O que monitorar e próximos passos

Empresas e investidores devem monitorar de perto os próximos relatórios financeiros do Nubank, prestando atenção especial aos seguintes pontos:

  • Tendência de PDD: Observar se o ritmo de aumento das provisões se estabiliza ou diminui, e como isso se compara à expansão da carteira de crédito.
  • Qualidade do crédito: Acompanhar os indicadores de inadimplência e a composição da carteira de crédito, especialmente em segmentos de maior risco.
  • Estratégia de gestão de risco: Avaliar as medidas que o Nubank implementará para equilibrar o crescimento com a gestão eficaz do risco de crédito.
  • Ambiente macroeconômico: Considerar o impacto de fatores macroeconômicos, como taxas de juros e inflação, na capacidade de pagamento dos consumidores.

Os próximos passos do Nubank provavelmente envolverão a comunicação de sua estratégia para gerenciar o risco de crédito enquanto continua sua expansão. Para empresas e investidores, a diversificação de portfólio e a análise criteriosa da saúde financeira de instituições de crédito são essenciais em um cenário de maior incerteza. A capacidade do Nubank de manter seu crescimento e rentabilidade, ao mesmo tempo em que gerencia eficazmente os riscos de crédito, será um fator determinante para sua avaliação no mercado nos próximos trimestres.

Fontes consultadas

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