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Geopolítica 18 de maio de 2026 às 11:00 · Redação FWD

Acordo Mercosul-UE entra em vigor e redefine cenário comercial para empresas brasileiras

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio, marcando o início da redução de tarifas para milhares de produtos. Esta medida abre novas oportunidades para exportadores brasileiros, especialmente no agronegócio e indústria, mas também intensifica a concorrência para setores domésticos, exigindo adaptação estratégica das empresas.

Acordo Mercosul-UE entra em vigor e redefine cenário comercial para empresas brasileiras
Foto: IslandHopper X no Pexels

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026, estabelecendo uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Este marco representa uma mudança substancial no cenário comercial para empresas brasileiras com atuação internacional ou exposição cambial, introduzindo novas dinâmicas de mercado e exigindo uma reavaliação de estratégias de negócio.

O que mudou na prática

Com a entrada em vigor provisória do acordo, o Brasil iniciou oficialmente as operações comerciais sob as novas regras tarifárias. A medida prevê a eliminação gradual de tarifas de importação para aproximadamente 3 mil produtos europeus, com mais de 90% das exportações da UE para o Mercosul se tornando livres de tarifas ao longo de até 15 anos.

Para o lado brasileiro, as primeiras licenças de exportação já foram autorizadas. Produtos como carne bovina fresca, carne bovina congelada, carne de aves desossada e cachaça passaram a se beneficiar do acesso ampliado ou com tarifa zero ao mercado europeu dentro das cotas estabelecidas. A Cota Hilton, que já existia para cortes nobres de carne bovina, teve sua tarifa reduzida de 20% para zero. Além disso, uma nova cota de 99 mil toneladas foi criada, compartilhada entre os países do Mercosul, para acesso ao mercado europeu.

No sentido inverso, produtos europeus como queijos importados já registraram uma redução imediata na tarifa de importação, caindo de 28% para 25,2%. Chocolates e tomates europeus também terão reduções tarifárias, embora de forma gradual a partir de 2027. Essas movimentações iniciais são controladas e processadas através do Portal Único Siscomex, o sistema de controle do comércio exterior brasileiro.

Impacto e por que importa

A criação desta vasta zona de livre comércio, que abrange 31 países e cerca de 700 milhões de consumidores, com um PIB combinado estimado em 22 trilhões de dólares, tem implicações profundas. Para o Brasil, que responde por mais de 80% do comércio do Mercosul com a Europa, o acordo promete ampliar significativamente as exportações do agronegócio e da indústria. Setores como metalurgia, materiais elétricos, produtos químicos e alimentos industrializados são apontados como beneficiários potenciais.

No entanto, o acordo também apresenta desafios consideráveis. A redução das tarifas sobre produtos europeus intensificará a concorrência no mercado interno brasileiro, especialmente para a indústria voltada ao consumo doméstico, a agricultura familiar e os pequenos produtores. Esses segmentos podem enfrentar maior pressão competitiva e necessitarão de estratégias de adaptação para manter sua relevância e sustentabilidade.

A previsibilidade e a segurança jurídica proporcionadas pelo acordo são fatores cruciais para as empresas. A harmonização de procedimentos e a cooperação entre autoridades aduaneiras, alinhadas às diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização Mundial de Aduanas (OMA), visam a simplificar as operações de importação, exportação e trânsito de mercadorias. Isso pode reduzir a burocracia e o “Custo Brasil”, facilitando o planejamento e a execução de operações comerciais.

O que monitorar e próximos passos

Empresas brasileiras devem monitorar de perto a implementação das fases do acordo, que é provisório e ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça Europeu, um processo que pode levar até 18 meses. Acompanhar a evolução das cotas tarifárias, as mudanças nos requisitos de origem e as adaptações regulatórias em ambos os blocos será fundamental para maximizar os benefícios e mitigar os riscos.

É essencial que as empresas avaliem suas cadeias de suprimentos, identifiquem novas oportunidades de mercado e analisem a competitividade de seus produtos frente à entrada de bens europeus com tarifas reduzidas. Investimentos em inovação, eficiência produtiva e diferenciação de produtos podem ser estratégias-chave para prosperar neste novo ambiente. A cooperação com associações setoriais e o acompanhamento das orientações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) também serão importantes para navegar as complexidades do acordo.

Os próximos meses serão decisivos para observar como os setores mais expostos se ajustarão e como as oportunidades de exportação se concretizarão, consolidando o impacto de longo prazo desta parceria comercial. Empresas atentas e proativas estarão mais bem posicionadas para capitalizar as vantagens e enfrentar os desafios impostos por este novo capítulo do comércio internacional.

Fontes consultadas

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