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Finanças 19 de maio de 2026 às 14:00 · Redação FWD

CVM e governo federal intensificam regulação de criptoativos e apostas preditivas no brasil

O governo federal, por meio da Resolução CMN nº 5.298, e a CVM estabeleceram novas diretrizes para o mercado de criptoativos e apostas preditivas. As medidas classificam mercados preditivos como jogos de azar e conferem maior poder à CVM para fiscalizar ofertas, impactando diretamente empresas e investidores no setor de ativos digitais e apostas no país.

CVM e governo federal intensificam regulação de criptoativos e apostas preditivas no brasil
Foto: RDNE Stock project no Pexels

O cenário regulatório para o mercado de criptoativos e apostas preditivas no Brasil passou por uma atualização significativa. O governo federal, através da Resolução CMN nº 5.298, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) implementaram novas diretrizes que redefinem o enquadramento e a fiscalização de operações com ativos digitais e plataformas de prognósticos. Essas mudanças visam trazer maior clareza e segurança jurídica, ao mesmo tempo em que buscam coibir práticas consideradas irregulares ou de alto risco.

O que mudou na prática

A principal alteração trazida pela Resolução CMN nº 5.298 é a classificação rigorosa dos chamados mercados preditivos como jogos de azar, retirando-os do status de investimento financeiro. Mercados preditivos são plataformas que permitem apostas em eventos reais, como eleições ou resultados de conflitos, utilizando criptomoedas. Essa medida busca frear o crescimento desordenado de operações que utilizam ativos digitais para prognósticos, os quais não se enquadram como produtos de investimento tradicionais.

Em paralelo, a CVM teve sua competência ampliada para adotar medidas complementares e fiscalizar empresas de investimento que possam estar disfarçando apostas como produtos financeiros complexos. A autarquia também revogou um Ato Declaratório anterior e validou a atuação de empresas como a OnilX na negociação de criptoativos, desde que não envolvam promessas fraudulentas de rentabilidade fixa ou contratos de investimento coletivo. Isso significa que operações com ativos digitais consolidados, como Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e Tether (USDT), continuam permitidas, mas sob um escrutínio maior quanto à natureza da oferta e às promessas aos investidores.

O Parecer de Orientação nº 40 da CVM, publicado anteriormente, já estabelecia diretrizes para identificar quando criptoativos podem ser considerados valores mobiliários, dependendo da existência de expectativa de retorno econômico e da vinculação desse retorno ao esforço de terceiros. Nessas situações, os criptoativos se submetem às regras do mercado de capitais, incluindo exigências de oferta pública, transparência e prestação de informações aos investidores.

Outra mudança relevante é a obrigatoriedade de prestação de informações. Ela atinge tanto as exchanges (plataformas de negociação de ativos digitais) sediadas no Brasil quanto pessoas físicas e jurídicas residentes no país que realizem operações em plataformas estrangeiras ou movimentações fora de corretoras acima de R$ 30 mil mensais. Essa integração global busca reduzir a arbitragem regulatória, prática que visa aproveitar diferenças de leis entre países para obter vantagens financeiras ou evitar obrigações.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

Para empresas que atuam no setor de criptoativos, as novas regras trazem um misto de desafios e oportunidades. A classificação dos mercados preditivos como jogos de azar exige uma reavaliação completa de modelos de negócio que operavam nessa fronteira. Empresas que antes se beneficiavam da zona cinzenta regulatória agora enfrentam a necessidade de se adequar às regras de jogos de azar ou de reestruturar suas ofertas para evitar penalidades. A CVM, com seu poder de fiscalização ampliado, representa um risco maior para quem tentar contornar as novas definições.

Por outro lado, a clareza regulatória sobre o que não é considerado valor mobiliário e o que é permitido na negociação de criptoativos consolidados pode fomentar a inovação e o investimento em áreas mais bem definidas. A validação de operações com Bitcoin, Ethereum e Tether, por exemplo, desde que em conformidade com as boas práticas, oferece maior segurança jurídica para plataformas de negociação e para investidores. Isso pode atrair mais capital e participantes para o mercado de criptoativos legítimos, diferenciando-o de operações especulativas ou fraudulentas.

Para investidores, a principal implicação é a maior proteção contra esquemas que prometem retornos fixos e garantidos, muitas vezes associados a fraudes. A fiscalização da CVM sobre ofertas de investimento disfarçadas de apostas ou produtos financeiros complexos visa salvaguardar o capital dos investidores. No entanto, também exige que os investidores compreendam a natureza dos ativos em que estão aplicando, distinguindo entre investimentos regulados e atividades de risco classificadas como jogos de azar.

O Brasil, com essas medidas, posiciona-se como um dos líderes na regulação de ativos digitais na América Latina, adotando um modelo híbrido. Este modelo busca estimular a inovação, especialmente na tokenização de ativos e moedas digitais estatais, enquanto mantém uma postura defensiva contra modalidades de apostas que operam em áreas ambíguas da lei.

O que monitorar e próximos passos

O mercado deve monitorar de perto a atuação da CVM e do Banco Central na aplicação dessas novas regras. A CVM já demonstrou sua intenção de fiscalizar ativamente empresas que possam estar disfarçando apostas como produtos financeiros. A exigência de licenciamento e o controle rigoroso de capitais via OCDE para operadoras que buscam o mercado brasileiro sem oferecer garantias de transparência e conformidade tributária também serão pontos cruciais.

Nos próximos passos, espera-se que as instituições financeiras e as empresas de criptoativos ajustem suas ofertas e comunicações para garantir a conformidade. A convergência entre as regras de mercado de capitais e as de jogos de azar sugere que o setor de apostas online, especialmente aqueles que utilizam criptomoedas, passará por uma fase de reestruturação para se adequar ao novo ambiente regulatório. A transparência e a conformidade tributária se tornarão ainda mais importantes para a sustentabilidade dos negócios nesse segmento.

Para investidores e empresas, a recomendação é buscar aconselhamento jurídico especializado para navegar por esse novo cenário e garantir que todas as operações estejam em total conformidade com a legislação vigente, evitando riscos regulatórios e financeiros. A atenção aos comunicados e orientações futuras das autoridades reguladoras será fundamental para antecipar e responder a novas adaptações no mercado.

Fontes consultadas

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