XP Inc. anuncia dividendos e recompra de ações após resultados do 1T26 aquém das expectativas
A XP Inc. divulgou seu balanço do primeiro trimestre de 2026, com lucro líquido ajustado de R$ 1,318 bilhão, e anunciou um plano de alocação de capital de R$ 500 milhões em dividendos e um programa de recompra de ações de R$ 1 bilhão. Apesar das iniciativas de retorno aos acionistas, as ações da companhia registraram queda significativa após a divulgação, refletindo a avaliação do mercado sobre um desempenho operacional mais fraco e a mudança na diretoria financeira,.
A XP Inc. (NASDAQ: XP) anunciou na terça-feira, 19 de maio, seus resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre de 2026, reportando um lucro líquido ajustado de R$ 1,318 bilhão. Este valor representa um aumento de 7% em comparação ao mesmo período do ano anterior, mas uma leve queda de 1% em relação ao quarto trimestre de 2025. A receita bruta da companhia atingiu R$ 4,919 bilhões no trimestre, um crescimento de 8% na base anual, mas um recuo de 2% frente aos últimos três meses de 2025.
Em paralelo à divulgação do balanço, a XP Inc. também detalhou um plano robusto de alocação de capital, que inclui a distribuição de dividendos e um novo programa de recompra de ações. O conselho de administração da empresa aprovou o pagamento de US$ 0,20 por ação Classe A em dividendos, totalizando aproximadamente R$ 500 milhões, com previsão de pagamento para 18 de junho de 2026 para os acionistas registrados até 10 de junho. Adicionalmente, foi autorizado um programa de recompra de ações no valor de até R$ 1 bilhão.
Outra mudança relevante para a companhia foi o anúncio da saída de Victor Mansur do cargo de CFO, que será sucedido por Gustavo Alejo, ex-CFO do Santander Brasil.
O que mudou na prática para a XP e seus investidores
Os resultados do primeiro trimestre de 2026 da XP Inc. mostram um crescimento anual positivo, impulsionado principalmente pelo segmento de varejo, que registrou receita de R$ 3,773 bilhões, um avanço de 10% em relação ao ano anterior. No entanto, houve uma desaceleração em relação ao trimestre imediatamente anterior. O segmento de banco de atacado também apresentou crescimento significativo, com receitas de R$ 1,146 bilhão, alta de 26% na comparação anual, mas com recuo de 8% na comparação trimestral.
Apesar do crescimento anual, a XP Inc. frustrou as expectativas de alguns analistas do mercado, que avaliaram o resultado como mais fraco, especialmente no “core” do negócio. A alíquota efetiva de imposto de 9,9% no trimestre, superior à expectativa de 7,2%, transformou um lucro antes dos impostos (EBT) que estava em linha com as projeções em uma perda no lucro líquido.
A reação do mercado foi imediata e negativa. As ações da XP Inc. listadas na Nasdaq recuaram mais de 4% após a divulgação, enquanto os BDRs (XPBR11) negociados na B3 caíram 1,62%. Essa queda reflete a percepção de que, embora a empresa continue lucrativa, o ambiente competitivo e a compressão de margens estão impactando o desempenho operacional.
O plano de alocação de capital, com dividendos e recompra de ações, visa sinalizar a solidez financeira da XP e o compromisso com o retorno aos acionistas. A distribuição de dividendos diretos e a redução do número de ações em circulação através da recompra são movimentos que podem valorizar as ações remanescentes e demonstrar confiança na geração de caixa futura da companhia.
Impacto e por que importa para decisões de negócio
Para investidores, a combinação de resultados aquém das expectativas e um plano de alocação de capital levanta questões sobre o equilíbrio entre crescimento e retorno. A queda das ações indica que o mercado está precificando um cenário mais desafiador para a XP no curto prazo, com a compressão de margens e a volatilidade nos spreads de crédito sendo fatores de preocupação.
A mudança de CFO para Gustavo Alejo, com seu histórico bancário no Santander Brasil, pode sinalizar uma intenção da XP de fortalecer suas operações de atacado e crédito. Essa transição pode ser positiva a médio e longo prazo, caso Alejo consiga implementar estratégias que melhorem a eficiência e a rentabilidade desses segmentos, que são cruciais para a diversificação das receitas da fintech.
Empresas do setor financeiro, especialmente as fintechs, operam em um ambiente de intensa concorrência e rápida evolução tecnológica. A capacidade de gerar lucros consistentes e, ao mesmo tempo, inovar e expandir a base de clientes é fundamental. A XP, sendo uma das maiores plataformas de investimentos do Brasil, precisa demonstrar resiliência e adaptabilidade para manter sua posição de liderança. A decisão de retornar capital aos acionistas, mesmo em um trimestre com resultados mistos, pode ser vista como uma estratégia para manter a confiança dos investidores e estabilizar o valor da ação em um período de incertezas.
O que monitorar e próximos passos
Investidores e analistas devem monitorar de perto os próximos relatórios trimestrais da XP Inc. para avaliar o impacto das novas estratégias sob a liderança do novo CFO, Gustavo Alejo. Será crucial observar se a empresa consegue reverter a compressão de margens e impulsionar o crescimento do “core” do negócio, especialmente em um ambiente de taxas de juros que ainda podem influenciar as receitas de renda fixa e de float.
A execução do programa de recompra de ações e o efeito da distribuição de dividendos no preço das ações também serão indicadores importantes da confiança da administração e da percepção do mercado. Além disso, a evolução do cenário competitivo no mercado financeiro brasileiro, com a atuação de grandes bancos e outras fintechs, continuará a ser um fator determinante para o desempenho da XP. A capacidade da empresa de inovar em produtos e serviços, bem como de expandir sua base de clientes de forma rentável, será essencial para o seu sucesso futuro.