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Geopolítica 20 de maio de 2026 às 11:00 · Redação FWD

Conflito no Irã gera US$ 25 bilhões em perdas globais e eleva custos de fertilizantes

O conflito no Irã já causou US$ 25 bilhões em custos adicionais para empresas globais, afetando setores como aviação e automotivo. O bloqueio do Estreito de Hormuz disparou os preços da ureia para mais de US$ 700 por tonelada, ameaçando a segurança alimentar global e pressionando o agronegócio brasileiro, que depende de fertilizantes importados e rotas marítimas estáveis.

Conflito no Irã gera US$ 25 bilhões em perdas globais e eleva custos de fertilizantes
Foto: Şahin Doğdu no Pexels

A escalada do conflito no Irã já impôs um custo adicional de pelo menos US$ 25 bilhões a empresas globais, de acordo com uma análise da Reuters divulgada nesta semana. O impacto financeiro, baseado em comunicados corporativos de 279 companhias na Europa, Ásia e Estados Unidos, concentra-se principalmente no setor aéreo, montadoras e suas cadeias de suprimentos, e bens de consumo. Além dos prejuízos diretos, o bloqueio do Estreito de Hormuz, uma rota marítima estratégica, provocou uma disparada nos preços de commodities essenciais, como os fertilizantes, gerando um alerta global para a segurança alimentar e pressionando diretamente o agronegócio brasileiro.

O que mudou na prática

Empresas em diversos segmentos reportaram aumentos de preços, cortes de produção, revisão de projeções financeiras, suspensão de dividendos e mudanças operacionais para conter perdas. O setor aéreo, por exemplo, arcou com cerca de US$ 15 bilhões em despesas extras, impulsionadas pela alta do querosene de aviação. Montadoras e suas cadeias de suprimentos registraram um impacto estimado em US$ 5,5 bilhões, enquanto o setor de bens de consumo sofreu com US$ 2,4 bilhões em custos adicionais.

Paralelamente, o fechamento do Estreito de Hormuz, responsável por aproximadamente um terço do comércio global de fertilizantes, causou uma elevação abrupta nos preços da ureia, que saltou de cerca de US$ 490 para mais de US$ 700 por tonelada. Essa interrupção afeta fábricas de fertilizantes na Ásia do Sul, dependentes de gás importado do Golfo, e levou grandes exportadores como China e Rússia a restringir suas exportações para proteger mercados internos.

No Brasil, as exportações para o Golfo Pérsico já registraram uma queda de 30% em meio às tensões militares e ao bloqueio da via marítima. Empresas de logística e comércio exterior observam desvios de rotas tradicionais, impactando o tempo de entrega e o custo do frete. A falta de previsibilidade e o frete mais caro pressionam as margens das empresas brasileiras, exigindo a busca por rotas alternativas e a diversificação de parceiros logísticos.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

Para as empresas brasileiras, especialmente aquelas com forte presença internacional ou exposição cambial, os impactos são multifacetados. O agronegócio, que representa uma parcela significativa das exportações do país e bateu recordes em abril de 2026, com US$ 16,65 bilhões em vendas externas, é particularmente vulnerável. A dependência de fertilizantes nitrogenados, cuja produção mundial depende em grande parte do gás natural, expõe o setor à volatilidade dos preços e à instabilidade das cadeias de suprimentos globais.

A elevação dos custos de frete e a necessidade de rotas mais longas aumentam os custos de importação e exportação, corroendo as margens de lucro. Empresas que dependem de insumos importados ou que exportam produtos para mercados distantes precisam reavaliar suas estratégias de logística e gestão de risco. A diretora comercial da Samsung SDS, Rosa Amador, ressalta que a visibilidade e o controle sobre a cadeia de suprimentos tornam-se essenciais para lidar com este cenário, que exige planejamento constante e a capacidade de reagir rapidamente a mudanças.

Além disso, a crise dos fertilizantes pode ter um efeito cascata na produção agrícola brasileira, impactando a competitividade no mercado global e, em última instância, a inflação alimentar interna e externa. A incerteza geopolítica reforça a necessidade de as empresas brasileiras investirem em resiliência da cadeia de suprimentos, explorando a diversificação de fornecedores e a otimização logística para mitigar riscos.

O que monitorar e próximos passos

Empresas brasileiras devem monitorar de perto a evolução do conflito no Irã e suas repercussões no Estreito de Hormuz. A volatilidade nos preços do petróleo e do gás natural continuará a influenciar os custos de transporte e de insumos industriais e agrícolas. É crucial acompanhar as declarações de agências internacionais e governos sobre o conflito e suas implicações para o comércio global.

Para o agronegócio, a atenção deve se voltar para a disponibilidade e os preços dos fertilizantes. Estratégias de compra antecipada, busca por novos fornecedores ou o desenvolvimento de alternativas sustentáveis podem ser diferenciais. A diversificação de mercados de exportação e a negociação de contratos de frete com maior flexibilidade também são medidas importantes. A resiliência da cadeia de suprimentos, que ganhou destaque durante a pandemia, volta a ser um pilar estratégico para a continuidade dos negócios em um cenário geopolítico instável.

Fontes consultadas

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