Agency FWD
Finanças 23 de maio de 2026 às 14:00 · Redação FWD

Banco Central do Brasil regulamenta cartões de criptomoedas para controle cambial

O Banco Central do Brasil implementou a Instrução nº 736/2026, que aprimora o controle cambial sobre cartões de criptomoedas utilizados em transações internacionais. A medida exige maior clareza e registro detalhado das conversões de criptoativos para moeda fiduciária e suas remessas, impactando diretamente empresas emissoras de cartões cripto e usuários brasileiros que realizam pagamentos ou saques no exterior com esses instrumentos.

Banco Central do Brasil regulamenta cartões de criptomoedas para controle cambial
Foto: beyzahzah no Pexels

O Banco Central do Brasil (BCB) publicou a Instrução nº 736/2026, estabelecendo novas diretrizes para o controle cambial de operações realizadas com cartões de criptomoedas. A medida, que substitui trechos da norma 693 de dezembro de 2025, visa aprimorar a vigilância sobre o carregamento e descarregamento de saldos em cartões internacionais, bem como o uso de outros meios de pagamento eletrônico de alcance global que envolvam ativos digitais.

O que mudou na prática

A Instrução nº 736/2026 impõe requisitos mais rigorosos para as instituições financeiras e empresas do setor de criptoativos que emitem cartões vinculados a contas de corretoras. O foco está na exigência de maior clareza e detalhamento no registro de todas as conversões de criptoativos para moeda fiduciária e nas subsequentes remessas financeiras.

Até então, usuários de criptomoedas frequentemente utilizam esses cartões com saldos digitais para viagens e compras rotineiras no exterior. Nestas operações, muitas corretoras realizam a conversão do saldo em cripto para a moeda fiduciária necessária para a transação. Com a nova regulamentação, as companhias que oferecem esses serviços terão que adaptar seus sistemas de relatórios para fornecer ao Banco Central informações mais precisas sobre esses fluxos cambiais.

O documento oficial foi assinado por Kathleen Krause, chefe do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial do BCB, e André Maurício Trindade da Rocha, coordenador do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro da instituição.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

Esta regulamentação representa um passo significativo na intensificação da supervisão do Banco Central sobre o mercado de criptoativos no Brasil. Para as empresas do setor, especialmente corretoras e fintechs que oferecem cartões de débito ou pré-pagos vinculados a contas de cripto, o impacto é direto. Elas precisarão investir em infraestrutura tecnológica e processos internos para garantir a conformidade com as novas exigências de reporte. A não adequação pode resultar em penalidades e restrições operacionais.

Para os investidores e usuários de criptomoedas, a mudança implica maior transparência nas transações internacionais. Embora o uso de cartões cripto para pagamentos no exterior não seja proibido, a rastreabilidade aprimorada visa combater a lavagem de dinheiro, o financiamento ao terrorismo e a evasão fiscal. Isso pode levar a uma percepção de maior segurança e legitimidade para o mercado de criptoativos no Brasil, atraindo um perfil de investidor mais institucionalizado, mas também pode gerar atrito para usuários que valorizam o anonimato ou a simplicidade nas operações.

O crescimento exponencial do Bitcoin e de outros criptoativos impulsionou a adoção desses cartões, tornando as transações transfronteiriças uma área de crescente atenção regulatória. As novas regras buscam fechar lacunas de informação no fluxo financeiro, permitindo ao BCB um mapeamento mais exato das operações de câmbio realizadas por brasileiros envolvendo ativos digitais. Este movimento alinha o Brasil a uma tendência global de maior escrutínio sobre o mercado de criptoativos, buscando equilibrar inovação com estabilidade financeira e prevenção a ilícitos.

O que monitorar e próximos passos

Empresas do setor de criptoativos devem monitorar de perto os comunicados e orientações complementares do Banco Central para entender os requisitos técnicos e prazos de implementação da Instrução nº 736/2026. A adaptação dos sistemas e processos será crucial para evitar interrupções nos serviços oferecidos e para manter a conformidade regulatória.

Para investidores, é importante estar ciente de que as transações com cartões cripto estarão sob maior escrutínio. Recomenda-se manter registros detalhados de todas as operações de conversão e uso desses cartões, especialmente para fins de declaração de imposto de renda. A clareza regulatória, embora possa parecer um entrave inicial, pode, a longo prazo, fomentar a confiança e a adoção mais ampla de criptoativos no mercado brasileiro, desde que as regras sejam implementadas de forma equilibrada e sem burocracia excessiva.

O Banco Central tem reiterado seu papel tradicional de controle cambial, e a ampliação da vigilância sobre as corretoras de criptomoedas nos últimos meses sinaliza uma postura proativa em relação à integração de novas tecnologias no sistema financeiro. Futuras regulamentações podem surgir à medida que o mercado de ativos digitais evolui e novas tecnologias são incorporadas, exigindo que empresas e usuários permaneçam atentos às mudanças no arcabouço normativo.

Fontes consultadas

#criptomoedas#banco-central#regulacao-financeira#cartoes-cripto#mercado-cambial#brasil

Mais em Finanças

Finanças 29 de jun. de 2026 · Redação FWD

Open Finance no Brasil atinge 120 milhões de consentimentos e se consolida como ferramenta comercial

O Open Finance no Brasil superou 120 milhões de consentimentos, com cerca de 100 milhões de usuários únicos, segundo relatório do BTG Pactual. O sistema evolui de uma fase regulatória para se tornar uma ferramenta comercial estratégica, impulsionando a aquisição de clientes, aprimorando a análise de crédito e a personalização de produtos para instituições financeiras brasileiras. Grandes bancos agora intensificam seu uso, buscando vantagem competitiva.

Finanças 25 de jun. de 2026 · Redação FWD

Ata do Copom revela divisão e cautela sobre futuros cortes da Selic

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta semana, revelou uma divisão interna e um tom cauteloso em relação aos próximos passos da política monetária. Apesar da redução da Selic para 14,25% ao ano, o documento gerou incerteza no mercado sobre a continuidade do ciclo de cortes de juros, impactando as expectativas de investidores e empresas.