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Geopolítica 23 de maio de 2026 às 11:00 · Redação FWD

Acordo comercial entre EUA e China reduz tarifas e cria conselhos, com implicações para exportadores brasileiros

Os Estados Unidos e a China anunciaram um acordo para reduzir tarifas sobre produtos específicos e estabelecer conselhos de comércio e investimento, após um recente encontro presidencial. Este desdobramento, que inclui o aumento das compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA, pode intensificar a concorrência para os exportadores agrícolas brasileiros no mercado chinês e exige reavaliação de estratégias de mercado.

Acordo comercial entre EUA e China reduz tarifas e cria conselhos, com implicações para exportadores brasileiros
Foto: www.kaboompics.com no Pexels

Os Estados Unidos e a China anunciaram avanços significativos em suas relações comerciais, com um acordo para reduzir mutuamente tarifas sobre certos produtos e estabelecer novos conselhos de comércio e investimento. Este desdobramento, que segue um recente encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, tem o potencial de reconfigurar o comércio global e apresenta implicações diretas e indiretas para as empresas brasileiras, especialmente no setor agrícola.

O que mudou na prática

O acordo, cujos detalhes emergiram entre 16 e 18 de maio de 2026, prevê a redução de impostos sobre uma gama de produtos, visando expandir o comércio bilateral entre as duas maiores economias do mundo. Um ponto central é a criação de conselhos de comércio e investimento, projetados para abordar preocupações mútuas e identificar categorias de produtos para futuras reduções tarifárias.

Do lado americano, a China se comprometeu a adquirir pelo menos 17 bilhões de dólares anuais em produtos agrícolas dos EUA até 2028. Isso inclui a renovação de listagens expiradas de mais de 400 frigoríficos de carne bovina dos EUA, a suspensão de todas as restrições a instalações americanas de carne bovina e a retomada das importações de aves dos EUA. Além disso, os EUA aprovaram a venda de chips Nvidia H200 para dez grandes empresas chinesas.

Em contrapartida, os Estados Unidos se comprometeram a abordar as preocupações chinesas relacionadas à detenção automática de produtos lácteos e aquáticos da China, à exportação de plantas envasadas para os EUA e à designação de Shandong como zona livre de gripe aviária de alta patogenicidade. A China, por sua vez, se comprometeu a resolver questões sobre licenças de importação para frigoríficos de carne bovina e importações de aves de certos estados americanos. Pequim também expressou a expectativa de que os EUA mantenham as tarifas sobre as exportações chinesas nos níveis estabelecidos em outubro de 2025 e as reduzam ainda mais por meio de negociações.

Impacto e por que importa

Para as empresas brasileiras, este acordo bilateral entre EUA e China gera um cenário de oportunidades e desafios. O Brasil é um dos maiores exportadores agrícolas do mundo e tem a China como seu principal parceiro comercial. A intensificação do comércio agrícola entre os EUA e a China pode aumentar a concorrência para produtos brasileiros no mercado chinês.

Historicamente, o Brasil tem sido um fornecedor crucial de commodities como soja, carne bovina e aves para a China. Com a China se comprometendo a aumentar as compras de produtos agrícolas dos EUA, os exportadores brasileiros podem enfrentar uma pressão maior sobre os preços e uma possível reconfiguração das cotas de mercado. Por exemplo, a retomada e expansão das importações chinesas de carne bovina e aves dos EUA podem impactar diretamente a demanda por produtos similares do Brasil, que é o maior exportador global de produtos agrícolas para a União Europeia, e um player relevante no mercado chinês.

Embora o acordo possa trazer uma maior estabilidade às cadeias de suprimentos globais, ao reduzir incertezas tarifárias entre as duas potências, ele também exige que as empresas brasileiras reavaliem suas estratégias de mercado. A diversificação de mercados e a busca por maior valor agregado podem se tornar ainda mais críticas para manter a competitividade. A previsibilidade nas relações comerciais entre EUA e China pode, por outro lado, estabilizar os preços de commodities em geral, o que pode ser benéfico para alguns setores, mas desafiador para outros que dependem de volatilidade para ganhos específicos.

O que monitorar e próximos passos

Empresas brasileiras com exposição internacional ou cambial devem monitorar de perto a implementação deste acordo. Os próximos passos incluem a efetivação das reduções tarifárias e o funcionamento dos conselhos de comércio e investimento. É crucial observar como as cotas de importação chinesas para produtos agrícolas dos EUA se traduzirão em volumes reais e como isso afetará a demanda e os preços de commodities no mercado global.

Além disso, a evolução das negociações sobre barreiras não tarifárias e a potencial expansão do acordo para outras categorias de produtos merecem atenção. Exportadores brasileiros devem estar preparados para ajustar suas cadeias de valor, buscar eficiências e explorar novos nichos de mercado ou aprofundar relações com outros parceiros comerciais. A capacidade de adaptação e a agilidade na resposta às mudanças no cenário comercial global serão fatores determinantes para o sucesso das empresas brasileiras neste novo ambiente.

Fontes consultadas

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