Agency FWD
Geopolítica 26 de maio de 2026 às 11:00 · Redação FWD

Petrobras eleva produção em refinarias diante de tensões no Oriente Médio

A Petrobras está operando suas refinarias em níveis próximos ou acima da capacidade máxima em resposta às crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam o mercado global de combustíveis. O objetivo é expandir a produção de derivados, reduzir a dependência de importações e capitalizar a alta dos preços internacionais de energia, com efeitos diretos na cadeia de suprimentos e nos custos operacionais para empresas brasileiras.

Petrobras eleva produção em refinarias diante de tensões no Oriente Médio
Foto: Jan van der Wolf no Pexels

A Petróleo Brasileiro S.A., Petrobras, anunciou que suas refinarias estão operando em níveis próximos ou até acima de sua capacidade projetada. Essa medida é uma resposta direta às intensificadas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que têm gerado preocupações com a escassez de combustíveis e a elevação dos preços do petróleo nos mercados globais. A estatal brasileira busca, com essa estratégia, expandir a produção de derivados e diminuir a dependência de importações de combustíveis, um movimento com implicações significativas para o cenário econômico nacional.

O que mudou na prática

Em um cenário de instabilidade global, a Petrobras tem ajustado sua operação para maximizar a produção interna. A empresa reportou que parte de sua capacidade de refino está operando a 103%, um indicativo do esforço para atender à demanda e proteger o mercado doméstico. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de utilização geral das unidades de refino da Petrobras atingiu 95%, com março registrando 97,4%, o nível mais alto desde 2014. Nos meses de abril e maio, várias unidades de refino superaram a marca de 100% de utilização.

William França, diretor de Processos e Produtos Industriais da Petrobras, destacou a importância dessa estratégia: “Quanto mais refinamos nosso próprio petróleo bruto, mais receita geramos. Isso significa não apenas exportar petróleo bruto, mas também aumentar ainda mais o valor agregado”. Embora o Brasil seja um dos principais produtores de petróleo do mundo, o país ainda depende de importações para alguns produtos refinados, como o diesel. A elevação da capacidade de refino é, portanto, uma ação estratégica para fortalecer a segurança energética nacional e aproveitar as oportunidades de mercado decorrentes da alta dos preços internacionais.

Impacto e por que importa

As tensões no Oriente Médio, especialmente aquelas que afetam o Estreito de Ormuz, um ponto crítico para o transporte de petróleo e gás, têm provocado uma volatilidade considerável nos preços globais de energia. O preço do Brent, por exemplo, registrou aumentos significativos, e os custos de gás natural e fertilizantes também subiram. Além disso, interrupções em rotas de transporte marítimo e ataques cibernéticos na região do Golfo têm contribuído para atrasos e aumento de custos nas cadeias de suprimentos globais.

Para as empresas brasileiras, a decisão da Petrobras de aumentar a produção de refinados tem múltiplos impactos. Primeiramente, a maior oferta de combustíveis no mercado interno pode ajudar a estabilizar os preços, protegendo as empresas da volatilidade extrema dos mercados internacionais. Isso é crucial para setores como transporte, logística, agricultura e indústria, que dependem diretamente dos derivados de petróleo. A redução da dependência de importações também diminui a exposição do Brasil a choques externos e flutuações cambiais, o que pode trazer maior previsibilidade para o planejamento de custos.

Em segundo lugar, a estratégia de verticalização da Petrobras, ao refinar mais petróleo bruto e agregar valor internamente, pode impulsionar a economia brasileira, gerando empregos e investimentos na cadeia produtiva. Contudo, a capacidade de o Brasil sustentar essa produção elevada e a qualidade dos produtos para atender às demandas do mercado global, especialmente em um cenário de exigências crescentes por sustentabilidade, serão fatores-chave.

O que monitorar e próximos passos

Empresas com exposição cambial e dependência de custos de energia devem monitorar de perto a evolução das tensões no Oriente Médio e as políticas de produção da Petrobras. A continuidade da alta utilização das refinarias dependerá da demanda global, da estabilidade dos preços do petróleo e da capacidade da estatal de manter a eficiência operacional em níveis elevados.

É fundamental observar os desdobramentos diplomáticos e militares na região do Golfo, pois qualquer escalada ou desescalada pode ter efeitos imediatos nos preços das commodities e na logística global. Além disso, as empresas devem avaliar suas próprias cadeias de suprimentos, buscando diversificação de fornecedores e rotas para mitigar riscos. A política de preços da Petrobras, que historicamente tem sido um ponto sensível no Brasil, também será um fator a ser acompanhado, especialmente em um ano de forte pressão inflacionária e expectativas econômicas. A capacidade de o Brasil manter o equilíbrio entre a segurança energética e a competitividade dos preços será crucial para o ambiente de negócios nos próximos meses.

Fontes consultadas

#petrobras#energia#oriente-medio#comercio-internacional#cadeia-de-suprimentos#inflacao

Mais em Geopolítica

Geopolítica 30 de jun. de 2026 · Redação FWD

China emerge como beneficiária estratégica da crise no Estreito de Ormuz

A crise no Estreito de Ormuz está reconfigurando o equilíbrio de poder global, com a China se destacando como a principal beneficiária econômica e geopolítica. Estratégias como grandes reservas de petróleo, rápido avanço em energias renováveis e uma política industrial robusta permitiram a Pequim mitigar impactos negativos, impulsionar exportações de tecnologias verdes e contrastar sua imagem com a dos EUA, redefinindo dinâmicas de cadeias de suprimentos e mercados de energia globais.

Geopolítica 25 de jun. de 2026 · Redação FWD

G7 estabelece metas de diversificação para minerais críticos, posicionando Brasil como fornecedor estratégico

A Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, França, concluiu com um compromisso firme dos líderes em diversificar as cadeias de suprimentos de minerais críticos, visando reduzir a dependência de fornecedores únicos. O grupo estabeleceu a meta de diminuir para menos de 60% a dependência de qualquer fornecedor externo para terras raras e ímãs permanentes até 2030, lançando a Aliança G7 de Resiliência e Produção de Minerais Críticos.