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Geopolítica 02 de junho de 2026 às 11:00 · Redação FWD

EUA propõem tarifa de 25% sobre importações brasileiras após investigação comercial

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 25% sobre diversas importações brasileiras. A medida, que visa práticas comerciais consideradas 'irrazoáveis', pode impactar exportadores brasileiros em setores como digital e etanol, exigindo atenção às consultas públicas e à decisão final em julho.

EUA propõem tarifa de 25% sobre importações brasileiras após investigação comercial
Foto: Rodolfo Gaion no Pexels

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversas importações provenientes do Brasil. A decisão surge após a conclusão de uma investigação que classificou certas práticas comerciais brasileiras como “irrazoáveis ou discriminatórias” e prejudiciais ao comércio norte-americano. A proposta, divulgada em 1º de junho de 2026, será submetida a audiências públicas antes de uma decisão final do presidente Donald Trump, esperada até 15 de julho de 2026.

O que mudou na prática

A proposta do USTR é um desdobramento da investigação iniciada no ano passado, sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974. Esta legislação permite ao governo norte-americano investigar e retaliar práticas comerciais consideradas injustas.

Entre as políticas brasileiras citadas como problemáticas, o USTR destacou: decisões judiciais que afetam plataformas digitais americanas, suposto favorecimento do Pix em relação a empresas estrangeiras de pagamento, acordos tarifários preferenciais com México e Índia, falhas no combate à corrupção, proteção insuficiente da propriedade intelectual, restrições ao etanol americano e dificuldades no combate ao desmatamento ilegal.

É importante notar que a proposta prevê exceções para alguns produtos. Para evitar problemas de abastecimento no mercado americano, itens como certos tipos de carne bovina, café, terras raras, outros metais, produtos de energia e peças para aeronaves seriam excluídos das tarifas punitivas.

Esta medida do USTR substitui parcialmente uma tarifa de 50% aplicada a muitos produtos brasileiros no ano passado, a qual foi posteriormente anulada pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro de 2026.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

A imposição de uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras pode ter um impacto significativo para empresas com presença internacional ou exposição cambial. Exportadores brasileiros de diversos setores, especialmente aqueles não contemplados pelas exceções, podem enfrentar um aumento substancial nos custos de seus produtos no mercado americano, resultando em perda de competitividade.

O setor de serviços digitais, por exemplo, é diretamente mencionado na investigação, indicando que empresas brasileiras de tecnologia e plataformas digitais que operam nos EUA podem ser afetadas. A menção ao Pix também levanta preocupações para o setor financeiro e de pagamentos, sugerindo que a política de incentivo a sistemas de pagamento locais pode ser vista como uma barreira comercial.

Embora alguns produtos agrícolas, como carne e café, tenham sido isentos, a incerteza regulatória e a possibilidade de futuras revisões podem gerar cautela entre os exportadores. A dependência de mercados específicos e a necessidade de diversificação tornam-se ainda mais evidentes neste cenário. Empresas com cadeias de suprimentos integradas entre Brasil e EUA precisarão reavaliar estratégias, buscando mitigar riscos e explorar alternativas.

O que monitorar e próximos passos

O governo dos EUA abriu um período de consulta pública para a proposta, que se estende até 1º de julho de 2026. Uma audiência pública está agendada para 6 de julho de 2026. A decisão final do presidente Donald Trump é esperada até 15 de julho de 2026.

Empresas brasileiras, associações setoriais e o próprio governo brasileiro devem monitorar de perto esses prazos e participar ativamente do processo de consulta, apresentando argumentos e dados que possam influenciar a decisão final. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil não respondeu imediatamente à proposta, mas oficiais brasileiros já indicaram que as justificativas para as tarifas desconsideram muitos dos argumentos apresentados pelo Brasil.

É crucial que as empresas avaliem seus contratos de exportação, custos logísticos e estratégias de precificação, preparando-se para um cenário de tarifas elevadas. A busca por novos mercados e a adaptação às exigências regulatórias internacionais podem ser passos importantes para mitigar os impactos. Além disso, o diálogo diplomático entre Brasil e EUA será fundamental para tentar reverter ou suavizar as medidas propostas, como já ocorreu em negociações anteriores.

Fontes consultadas

#eua-brasil#tarifas#comercio-internacional#politica-comercial#exportacao-brasileira#secao-301

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