Agency FWD
Finanças 03 de junho de 2026 às 14:00 · Redação FWD

PicPay registra lucro de R$ 169 milhões no 1T26, mas ações caem 15% após balanço pós-IPO

O PicPay reportou lucro líquido ajustado de R$ 169 milhões no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 92% na comparação anual e acima das projeções. No entanto, as ações da fintech brasileira na Nasdaq despencaram mais de 15% após a divulgação do balanço, o primeiro desde seu IPO em janeiro, levantando questionamentos do mercado sobre a rentabilidade e o valuation da companhia, apesar do forte crescimento da carteira de crédito.

PicPay registra lucro de R$ 169 milhões no 1T26, mas ações caem 15% após balanço pós-IPO
Foto: Efrem Efre no Pexels

O PicPay, uma das principais fintechs brasileiras, anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 169 milhões no primeiro trimestre de 2026, marcando um crescimento expressivo de 92% em relação ao mesmo período do ano anterior e superando as próprias previsões da instituição. Este resultado positivo, impulsionado principalmente pela expansão da carteira de crédito, não foi suficiente para acalmar o mercado, que reagiu com uma queda superior a 15% nas ações da companhia negociadas na Nasdaq.

O que mudou na prática

O balanço do primeiro trimestre de 2026 foi o primeiro divulgado pelo PicPay desde sua estreia na Nasdaq em janeiro deste ano, que quebrou um jejum de mais de quatro anos sem IPOs de empresas brasileiras no exterior. A receita total da empresa atingiu R$ 3,5 bilhões no período, um aumento de 70% em base anual. O crescimento foi amplamente atribuído à aceleração da carteira de crédito, que mais que dobrou em 12 meses, passando de R$ 13 bilhões para R$ 28 bilhões.

A diversificação das fontes de receita também foi um fator chave, com 69% dos ingressos provenientes de produtos de baixo ou nulo risco de crédito, como tarifas, comissões de seguros e a remuneração do saldo em carteira (float). O destaque na expansão da carteira de crédito foi o segmento de empréstimos consignados privados, lançado em abril de 2025, que respondeu por 60% do incremento trimestral do portfólio, adicionando R$ 2,1 bilhões. Ao final de março, 54% da carteira total era composta por crédito com alguma forma de garantia, indicando uma migração para um perfil de risco mais controlado.

Outro ponto relevante foi a evolução da monetização por usuário. O ARPAC (receita média por cliente ativo) atingiu R$ 80,7 no trimestre, um aumento de 55% em 12 meses, enquanto o custo para atender cada cliente foi de R$ 20. O número de contas ativas do PicPay alcançou 44,3 milhões.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

Apesar dos resultados operacionais robustos e do lucro acima das expectativas, a queda acentuada das ações do PicPay na Nasdaq reflete uma avaliação cautelosa do mercado. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido ajustada (ROE) recuou de 24,4% no quarto trimestre de 2025 para 15,5% no primeiro trimestre de 2026. O CEO do PicPay, Eduardo Chedid, explicou que essa queda é um “efeito matemático temporário” decorrente do acréscimo de capital captado no IPO. Ele projeta que o ROE retorne a patamares acima de 20% nos próximos trimestres, à medida que os recursos sejam direcionados para o crescimento de produtos de crédito de alta rentabilidade.

Para empresas e investidores brasileiros, a performance do PicPay após seu primeiro balanço pós-IPO serve como um termômetro para o setor de fintechs. A capacidade de gerar lucro e expandir a carteira de crédito, especialmente em segmentos garantidos como o consignado, demonstra resiliência operacional. No entanto, a reação negativa do mercado, mesmo diante de números operacionais positivos, sugere que o valuation e as expectativas de rentabilidade de longo prazo continuam sob escrutínio. Isso pode influenciar a percepção de risco e o apetite por investimentos em outras fintechs ou empresas de tecnologia que buscam capitalização via IPOs.

A diversificação da carteira de crédito e a busca por produtos com menor risco são estratégias cruciais para a sustentabilidade e a atração de capital em um cenário de juros elevados e maior seletividade dos investidores. A capacidade de converter o crescimento da base de clientes em rentabilidade consistente é um desafio contínuo para as fintechs, e o caso do PicPay ilustra a complexidade dessa equação no mercado de capitais.

O que monitorar e próximos passos

Nos próximos trimestres, será fundamental acompanhar a evolução do ROE do PicPay e se a empresa conseguirá cumprir a projeção de retorno aos patamares acima de 20%. A gestão da inadimplência, que pode aumentar com a maturação da carteira de crédito, também será um ponto de atenção.

O PicPay projeta receitas gerenciais de aproximadamente R$ 3,6 bilhões para o segundo trimestre de 2026, com lucro líquido ajustado estimado em R$ 245 milhões. O mercado observará de perto se essas projeções serão alcançadas e como a empresa continuará a otimizar o uso do capital levantado no IPO para impulsionar a rentabilidade.

Investidores e analistas continuarão avaliando a capacidade do PicPay de equilibrar crescimento acelerado com rentabilidade sustentável, um desafio comum para muitas empresas de tecnologia e fintechs em mercados emergentes. A performance das ações da companhia nos próximos meses será um indicador importante da confiança do mercado em sua estratégia de longo prazo e na capacidade de execução da gestão.

Fontes consultadas

#picpay#resultados-financeiros#fintech#ipo#mercado-de-acoes#credito-consignado

Mais em Finanças

Finanças 29 de jun. de 2026 · Redação FWD

Open Finance no Brasil atinge 120 milhões de consentimentos e se consolida como ferramenta comercial

O Open Finance no Brasil superou 120 milhões de consentimentos, com cerca de 100 milhões de usuários únicos, segundo relatório do BTG Pactual. O sistema evolui de uma fase regulatória para se tornar uma ferramenta comercial estratégica, impulsionando a aquisição de clientes, aprimorando a análise de crédito e a personalização de produtos para instituições financeiras brasileiras. Grandes bancos agora intensificam seu uso, buscando vantagem competitiva.

Finanças 25 de jun. de 2026 · Redação FWD

Ata do Copom revela divisão e cautela sobre futuros cortes da Selic

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta semana, revelou uma divisão interna e um tom cauteloso em relação aos próximos passos da política monetária. Apesar da redução da Selic para 14,25% ao ano, o documento gerou incerteza no mercado sobre a continuidade do ciclo de cortes de juros, impactando as expectativas de investidores e empresas.