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Geopolítica 03 de junho de 2026 às 11:00 · Redação FWD

China reconhece todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação

A China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação em todo o seu território, uma decisão que entra em vigor a partir de 29 de maio de 2026 e foi comunicada em 2 de junho. Esta medida sanitária remove uma barreira comercial de longa data, abrindo novas oportunidades para a exportação de produtos cárneos brasileiros, como carne bovina com osso e miúdos, ao maior mercado consumidor do mundo.

China reconhece todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação
Foto: Wolfgang Weiser no Pexels

A China, principal destino das exportações de carne bovina brasileira, anunciou o reconhecimento de todo o território do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação. A decisão, datada de 29 de maio de 2026, foi tornada pública em 2 de junho, durante a visita do Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, a Pequim. Este marco sanitário representa uma mudança significativa nas relações comerciais entre os dois países, removendo uma barreira que persistia há anos e que limitava o potencial de exportação de diversos produtos cárneos brasileiros.

O que mudou na prática

Com o reconhecimento da China, o Brasil agora possui um status sanitário elevado que permite a negociação de produtos que anteriormente enfrentavam restrições. A Administração Geral de Alfândegas da China (GACC) e o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (Mara) emitiram uma declaração conjunta confirmando a medida. Esta decisão anula proibições chinesas anteriores, que remontavam a 2002, 2005 e 2009, e que tratavam apenas estados específicos, como Santa Catarina, como livres da doença.

Na prática, a nova classificação sanitária abre portas para a exportação de produtos de maior valor agregado. Isso inclui carne bovina com osso, miúdos bovinos, miúdos suínos internos e cálculos biliares bovinos, utilizados pela indústria farmacêutica, que exigem o status de país livre de febre aftosa sem vacinação. A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) já havia certificado o Brasil com este status cerca de um ano antes, após 12 meses sem imunização do rebanho nacional.

O governo brasileiro foi informado da decisão nas primeiras horas de 2 de junho de 2026, segundo o Broadcast Agro. A demanda brasileira por este reconhecimento foi reforçada durante uma missão do Ministro da Agricultura, André de Paula, à China em maio de 2026, e era parte de um conjunto de medidas compensatórias para a salvaguarda da carne bovina.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

Para as empresas brasileiras do agronegócio, especialmente as do setor de carnes, o reconhecimento chinês é um avanço estratégico. A China é o maior importador de carne bovina do Brasil, e a remoção desta barreira sanitária pode impulsionar significativamente o volume e a diversificação das exportações. A maior credibilidade do sistema de defesa agropecuária brasileiro no cenário internacional pode facilitar futuras negociações e a abertura de novos mercados.

No entanto, este avanço ocorre em um contexto de desafios contínuos. Recentemente, a China tem imposto suspensões a frigoríficos brasileiros devido à detecção de hormônios veterinários sintéticos, como o acetato de medroxiprogesterona e a progesterona, em cargas de carne bovina. Unidades da JBS, Prima Foods e Frialto, entre outras, foram afetadas por essas medidas, que se somam a um histórico de monitoramento rigoroso da China sobre a segurança alimentar.

Além disso, o setor enfrenta a questão da cota de importação imposta pela China. O Brasil já atingiu 50% da cota estabelecida para 2026, que é de 1,106 milhão de toneladas. Se essa cota for excedida, as importações brasileiras podem ser submetidas a tarifas adicionais de 55%, o que impactaria a competitividade da carne brasileira no mercado chinês.

Para as empresas, a decisão chinesa sobre a febre aftosa representa uma oportunidade de reavaliar e expandir suas estratégias de exportação, focando em produtos que antes eram restritos. Contudo, é crucial manter a conformidade com as rigorosas exigências sanitárias chinesas e monitorar de perto a utilização da cota para evitar sobretaxas. A capacidade de adaptação e a excelência nos controles de qualidade serão determinantes para aproveitar plenamente este novo cenário.

O que monitorar e próximos passos

As empresas brasileiras devem monitorar a implementação prática deste reconhecimento, incluindo a atualização de protocolos de exportação e a aprovação de novas plantas frigoríficas para atender à demanda por produtos que antes eram restritos. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deverão trabalhar em conjunto para garantir que as empresas estejam aptas a aproveitar as novas oportunidades.

É fundamental que o Brasil continue aprimorando seus sistemas de controle sanitário para evitar novas suspensões relacionadas a resíduos hormonais, que podem ofuscar os ganhos obtidos com o status de livre de febre aftosa. As negociações bilaterais com a China também devem abordar a questão da cota de importação, buscando soluções que garantam a previsibilidade e a sustentabilidade do comércio de carne bovina a longo prazo. O mercado global de proteínas continuará a observar como o Brasil equilibra o aumento do acesso com a manutenção de padrões sanitários e comerciais rigorosos.

Fontes consultadas

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