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Geopolítica 03 de junho de 2026 às 11:00 · Redação FWD

Governo Trump propõe tarifa de 25% a exportações brasileiras, Brasil sinaliza concessão em e-commerce

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) concluiu uma investigação e propôs tarifas de 25% sobre 21% das exportações brasileiras, citando o Pix e a regulação de redes sociais como práticas comerciais "não razoáveis". Em resposta, o Brasil sinaliza a retirada de seu veto a um acordo global de e-commerce na OMC para evitar a imposição das tarifas, buscando preservar o relacionamento comercial com os EUA.

Governo Trump propõe tarifa de 25% a exportações brasileiras, Brasil sinaliza concessão em e-commerce
Foto: Werner Pfennig no Pexels

O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, concluiu uma investigação comercial e propôs a imposição de tarifas de 25% sobre uma parcela significativa das exportações brasileiras. A medida, recomendada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), afetaria cerca de 21% dos produtos nacionais exportados para o mercado americano. Em um movimento estratégico para mitigar o impacto, o Brasil sinalizou a Washington sua intenção de retirar o veto a um acordo global sobre comércio eletrônico na Organização Mundial do Comércio (OMC), buscando evitar a concretização das sanções tarifárias.

O que mudou na prática

A proposta de tarifas de 25% surge após uma investigação de um ano, conduzida pelo USTR sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Esta seção permite que o governo americano apure e responda a práticas comerciais de parceiros que considere “injustas ou discriminatórias”. No caso do Brasil, o USTR citou, em um documento de 107 páginas, o sistema de pagamentos instantâneos Pix e a regulamentação de redes sociais como exemplos de políticas brasileiras que “oneram ou restringem” o comércio com os Estados Unidos.

O governo brasileiro calcula que a aplicação dessas tarifas impactaria setores como máquinas e equipamentos, plásticos, madeira, papel cartão, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos. Em resposta a essa pressão, o Brasil indicou a possibilidade de retirar seu veto a uma moratória da OMC que proíbe a cobrança de tarifas sobre transmissões eletrônicas, como streaming, download de aplicativos e serviços em nuvem. Essa moratória, acordada em 1998 e regularmente renovada, tem sido um ponto de discórdia, com o Brasil defendendo a possibilidade de taxar esses serviços digitais.

Impacto e por que importa

A imposição de tarifas de 25% sobre 21% das exportações brasileiras para os EUA representaria um desafio substancial para empresas com forte presença no mercado americano ou com grande exposição cambial. O aumento nos custos de importação para os compradores americanos poderia reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, forçando as empresas a absorver parte desses custos ou a repassá-los, o que poderia diminuir a demanda.

Para o Brasil, os Estados Unidos são um parceiro comercial vital. A ameaça de tarifas elevadas pressiona o governo a buscar soluções diplomáticas, como a sinalização de concessão no acordo de e-commerce da OMC. Essa flexibilização pode ser interpretada como um esforço para demonstrar boa vontade e preservar o relacionamento comercial, evitando uma escalada que poderia prejudicar ainda mais a balança comercial brasileira.

Além do impacto direto nas exportações, a disputa levanta questões sobre a soberania regulatória do Brasil. A menção do Pix e da regulação de redes sociais pelo USTR sugere que políticas domésticas, mesmo que não diretamente relacionadas ao comércio de bens, podem ser usadas como alavanca em negociações comerciais internacionais. Empresas brasileiras que operam nesses setores, ou que dependem de plataformas digitais, devem estar atentas a como essas discussões podem evoluir e moldar o ambiente regulatório futuro. O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou que a economia brasileira está relativamente mais protegida dos efeitos do tarifaço, citando a menor dependência da economia norte-americana e a diversificação de parceiros comerciais.

O que monitorar e próximos passos

O prazo final para a decisão dos EUA sobre a aplicação das tarifas é 15 de julho. Até lá, as negociações entre os dois países devem se intensificar. Empresas brasileiras, especialmente aquelas nos setores mais visados, devem monitorar de perto os desdobramentos e considerar estratégias para diversificar mercados ou ajustar suas cadeias de suprimentos.

É crucial observar a formalização da retirada do veto brasileiro ao acordo de e-commerce na OMC e se essa concessão será suficiente para dissuadir Washington da imposição das tarifas. Qualquer escalada nas tensões comerciais pode ter implicações mais amplas para o câmbio, o investimento estrangeiro e a confiança empresarial no Brasil. A capacidade do governo brasileiro de dialogar e negociar será fundamental para navegar neste cenário complexo e proteger os interesses das empresas nacionais.

Fontes consultadas

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