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Geopolítica 10 de junho de 2026 às 11:00 · Redação FWD

Câmara dos Deputados aprova acordo Mercosul-EFTA, abrindo novas frentes comerciais para o Brasil

A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. A medida expande a rede de parceiros comerciais do bloco sul-americano com nações desenvolvidas, projetando um acréscimo de até R$ 660 bilhões no fluxo de comércio até 2040.

Câmara dos Deputados aprova acordo Mercosul-EFTA, abrindo novas frentes comerciais para o Brasil
Foto: Jessika Arraes no Pexels

A Câmara dos Deputados do Brasil deu um passo significativo para a expansão das relações comerciais do país ao aprovar, em 9 de junho de 2026, o projeto de decreto legislativo que ratifica o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Este bloco é formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, nações reconhecidas por suas economias de alta renda e elevado poder de compra.

O acordo representa um movimento estratégico para o Mercosul, que busca diversificar seus parceiros comerciais e reduzir a dependência de mercados tradicionais. A EFTA, com um mercado consumidor de aproximadamente 15 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em 1,5 trilhão de dólares, além de importações anuais superiores a 475 bilhões de dólares, oferece um destino promissor para as exportações brasileiras.

O que mudou na prática

A aprovação pela Câmara dos Deputados é um avanço crucial no processo de implementação do acordo, que vinha sendo negociado há anos. Com a ratificação, o Brasil e os demais membros do Mercosul (Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai) ganham acesso preferencial a um novo conjunto de mercados desenvolvidos na Europa. O relator da proposta na Câmara, deputado David Soares, destacou que o acordo expande a rede de pactos comerciais do Mercosul com nações europeias desenvolvidas.

Estudos governamentais projetam um acréscimo de até R$ 660 bilhões no fluxo de comércio entre as regiões até o ano de 2040, o que sublinha o potencial econômico da parceria. A expectativa é que o acordo gere novas oportunidades para diversos setores da economia brasileira, impulsionando exportações e investimentos.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

Para as empresas brasileiras com atuação internacional ou exposição cambial, a entrada em vigor do acordo Mercosul-EFTA traz implicações estratégicas. Primeiramente, a redução ou eliminação de tarifas de importação facilitará o acesso de produtos brasileiros a mercados de alta renda, tornando-os mais competitivos. Isso é particularmente relevante para o agronegócio, com cotas importantes na área de carnes, produtos agrícolas em geral e café, onde Noruega e Suíça já são grandes importadores.

Além disso, o acordo abrange o setor de serviços, abrindo novas avenidas para empresas brasileiras que atuam nesse segmento. A previsibilidade e a segurança jurídica proporcionadas por um acordo de livre comércio são fatores valorizados por exportadores e governos, incentivando o investimento e a cooperação.

Um aspecto notável do acordo é a inclusão de um capítulo ambiental, com regras que os signatários, incluindo o Brasil, devem seguir para a proteção da Amazônia. Esta cláusula é vista como um ponto positivo, especialmente considerando a cooperação da Noruega em investimentos para a proteção ambiental na região. Para empresas com foco em sustentabilidade e ESG, o alinhamento com essas diretrizes pode ser um diferencial competitivo nos mercados da EFTA.

A diversificação de mercados é uma estratégia fundamental em um cenário geopolítico e econômico global cada vez mais volátil. A abertura de novas frentes comerciais com países da EFTA pode mitigar riscos associados a tensões comerciais com outros blocos ou nações, oferecendo maior resiliência às cadeias de suprimentos e exportações brasileiras.

O que monitorar e próximos passos

O próximo passo essencial para a plena entrada em vigor do acordo é a ratificação pelos congressos de todos os países membros do Mercosul e da EFTA. No Brasil, o governo tem a intenção de colocar o projeto em votação no Senado Federal ainda nesta semana, buscando agilizar o processo antes do recesso parlamentar.

Empresas brasileiras devem monitorar de perto o avanço da ratificação e se preparar para as novas condições comerciais. Isso inclui revisar suas estratégias de exportação, identificar oportunidades em novos nichos de mercado na EFTA e adaptar-se a eventuais requisitos regulatórios e de sustentabilidade. A compreensão detalhada das cotas e das regras de origem será crucial para maximizar os benefícios do acordo. A concretização desta parceria reforça a importância da diplomacia comercial e da busca por acordos que impulsionem o crescimento e a estabilidade econômica do Brasil no cenário global.

Fontes consultadas

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