Câmara dos Deputados aprova acordo Mercosul-EFTA, abrindo novas frentes comerciais para o Brasil
A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. A medida expande a rede de parceiros comerciais do bloco sul-americano com nações desenvolvidas, projetando um acréscimo de até R$ 660 bilhões no fluxo de comércio até 2040.
A Câmara dos Deputados do Brasil deu um passo significativo para a expansão das relações comerciais do país ao aprovar, em 9 de junho de 2026, o projeto de decreto legislativo que ratifica o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Este bloco é formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, nações reconhecidas por suas economias de alta renda e elevado poder de compra.
O acordo representa um movimento estratégico para o Mercosul, que busca diversificar seus parceiros comerciais e reduzir a dependência de mercados tradicionais. A EFTA, com um mercado consumidor de aproximadamente 15 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em 1,5 trilhão de dólares, além de importações anuais superiores a 475 bilhões de dólares, oferece um destino promissor para as exportações brasileiras.
O que mudou na prática
A aprovação pela Câmara dos Deputados é um avanço crucial no processo de implementação do acordo, que vinha sendo negociado há anos. Com a ratificação, o Brasil e os demais membros do Mercosul (Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai) ganham acesso preferencial a um novo conjunto de mercados desenvolvidos na Europa. O relator da proposta na Câmara, deputado David Soares, destacou que o acordo expande a rede de pactos comerciais do Mercosul com nações europeias desenvolvidas.
Estudos governamentais projetam um acréscimo de até R$ 660 bilhões no fluxo de comércio entre as regiões até o ano de 2040, o que sublinha o potencial econômico da parceria. A expectativa é que o acordo gere novas oportunidades para diversos setores da economia brasileira, impulsionando exportações e investimentos.
Impacto e por que importa para decisões de negócio
Para as empresas brasileiras com atuação internacional ou exposição cambial, a entrada em vigor do acordo Mercosul-EFTA traz implicações estratégicas. Primeiramente, a redução ou eliminação de tarifas de importação facilitará o acesso de produtos brasileiros a mercados de alta renda, tornando-os mais competitivos. Isso é particularmente relevante para o agronegócio, com cotas importantes na área de carnes, produtos agrícolas em geral e café, onde Noruega e Suíça já são grandes importadores.
Além disso, o acordo abrange o setor de serviços, abrindo novas avenidas para empresas brasileiras que atuam nesse segmento. A previsibilidade e a segurança jurídica proporcionadas por um acordo de livre comércio são fatores valorizados por exportadores e governos, incentivando o investimento e a cooperação.
Um aspecto notável do acordo é a inclusão de um capítulo ambiental, com regras que os signatários, incluindo o Brasil, devem seguir para a proteção da Amazônia. Esta cláusula é vista como um ponto positivo, especialmente considerando a cooperação da Noruega em investimentos para a proteção ambiental na região. Para empresas com foco em sustentabilidade e ESG, o alinhamento com essas diretrizes pode ser um diferencial competitivo nos mercados da EFTA.
A diversificação de mercados é uma estratégia fundamental em um cenário geopolítico e econômico global cada vez mais volátil. A abertura de novas frentes comerciais com países da EFTA pode mitigar riscos associados a tensões comerciais com outros blocos ou nações, oferecendo maior resiliência às cadeias de suprimentos e exportações brasileiras.
O que monitorar e próximos passos
O próximo passo essencial para a plena entrada em vigor do acordo é a ratificação pelos congressos de todos os países membros do Mercosul e da EFTA. No Brasil, o governo tem a intenção de colocar o projeto em votação no Senado Federal ainda nesta semana, buscando agilizar o processo antes do recesso parlamentar.
Empresas brasileiras devem monitorar de perto o avanço da ratificação e se preparar para as novas condições comerciais. Isso inclui revisar suas estratégias de exportação, identificar oportunidades em novos nichos de mercado na EFTA e adaptar-se a eventuais requisitos regulatórios e de sustentabilidade. A compreensão detalhada das cotas e das regras de origem será crucial para maximizar os benefícios do acordo. A concretização desta parceria reforça a importância da diplomacia comercial e da busca por acordos que impulsionem o crescimento e a estabilidade econômica do Brasil no cenário global.
Fontes consultadas
- Plenário aprova acordos entre o Mercosul e países europeus e asiáticos - 09/06/26 · Câmara dos Deputados
- Projected gains of R$ 660 billion in trade with the Mercosur-EFTA agreement. · Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC