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Marketing 11 de junho de 2026 às 12:00 · Redação FWD

Confiança do consumidor em conteúdo gerado por IA diminui, revela pesquisa Gartner

Uma pesquisa recente da Gartner aponta que 49% dos consumidores nos EUA percebem uma queda na qualidade de conteúdo gerado por inteligência artificial, com preocupações mais acentuadas entre os mais jovens. Essa percepção exige que marcas e agências de marketing reavaliem suas estratégias de IA para preservar a credibilidade e o engajamento do público, priorizando a autenticidade e a supervisão humana.

Confiança do consumidor em conteúdo gerado por IA diminui, revela pesquisa Gartner
Foto: Tara Winstead no Pexels

A rápida ascensão da inteligência artificial generativa no marketing digital trouxe consigo promessas de eficiência e escala sem precedentes. No entanto, uma pesquisa recente da Gartner revela um lado menos otimista dessa transformação: a confiança do consumidor na qualidade do conteúdo gerado por IA está em declínio. O estudo, divulgado em 11 de junho de 2026, indica que 49% dos consumidores nos Estados Unidos acreditam que a IA generativa impactou negativamente a qualidade do conteúdo, com uma preocupação ainda maior entre as gerações mais jovens.

O que mudou na prática

Historicamente, a adoção de novas tecnologias no marketing tem sido impulsionada pela busca por otimização e personalização. A IA generativa prometeu revolucionar a criação de textos, imagens e vídeos, permitindo que as marcas produzissem conteúdo em volume e velocidade antes inatingíveis. Contudo, a pesquisa da Gartner sugere que essa velocidade e volume podem estar comprometendo a percepção de qualidade por parte do público. Quase metade dos consumidores americanos expressa ceticismo, o que representa um alerta significativo para as marcas que dependem cada vez mais de ferramentas de IA para suas estratégias de conteúdo.

Essa mudança na percepção do consumidor não é isolada. Relatórios anteriores da eMarketer, de maio de 2026, já apontavam que os compradores não estavam impressionados com o marketing gerado por IA, indicando uma lacuna entre a capacidade tecnológica e a ressonância com o público. A preocupação se acentua entre os dados demográficos mais jovens, que, embora sejam nativos digitais e mais expostos à IA, parecem ser os mais críticos em relação à autenticidade e originalidade do conteúdo produzido por máquinas.

Na prática, isso significa que a mera automação da criação de conteúdo não é mais suficiente. Marcas que apostaram em uma abordagem de “quantidade sobre qualidade” usando IA podem estar enfrentando uma erosão da credibilidade. A falta de nuances humanas, a repetição de padrões e a ausência de uma voz autêntica podem ser fatores que contribuem para essa percepção negativa. O desafio agora é equilibrar a eficiência da IA com a necessidade de manter a qualidade e a conexão genuína com o público.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

Para agências e profissionais de marketing no Brasil, essa pesquisa tem implicações profundas. O mercado brasileiro, com sua forte cultura de engajamento e valorização da autenticidade, pode ser ainda mais sensível a essa queda percebida na qualidade do conteúdo. As decisões de negócio precisam ser reavaliadas à luz desses dados:

  • Estratégia de Conteúdo: A dependência excessiva de IA para a criação de conteúdo pode ser um tiro no pé. As marcas precisam reintroduzir a supervisão humana e a curadoria editorial como elementos críticos no fluxo de trabalho de conteúdo. A IA deve ser vista como uma ferramenta de apoio, não um substituto para a criatividade e o insight humano.
  • Confiança da Marca: A percepção de conteúdo de baixa qualidade pode prejudicar a reputação da marca e a confiança do consumidor. Em um cenário onde a lealdade do cliente é cada vez mais difícil de conquistar, comprometer a qualidade do conteúdo para economizar tempo ou custo pode ter consequências de longo prazo para o valor da marca.
  • Alocação de Orçamento: CMOs estão realocando orçamentos significativos para a IA. No entanto, se essa alocação não for acompanhada de uma estratégia que garanta a qualidade e a autenticidade do conteúdo, o retorno sobre o investimento (ROI) pode ser comprometido. É crucial investir não apenas nas ferramentas, mas também na capacitação de equipes para usar a IA de forma estratégica e ética.
  • Diferenciação no Mercado: Em um ambiente digital saturado, a autenticidade e a originalidade se tornam diferenciais competitivos. Marcas que conseguirem entregar conteúdo de alta qualidade, mesmo com o apoio da IA, se destacarão daquelas que caem na armadilha da produção genérica.

O que monitorar e próximos passos

Diante deste cenário, agências e profissionais de marketing devem adotar uma postura proativa e estratégica:

  • Monitorar a Percepção do Público: É fundamental implementar mecanismos de escuta social e pesquisa de mercado para entender como seu público específico percebe o conteúdo gerado por IA. Feedback direto, análise de sentimento e métricas de engajamento devem ser usados para calibrar a estratégia.
  • Revisar Diretrizes de IA: Desenvolver e aplicar diretrizes claras para o uso de IA na criação de conteúdo, garantindo que a voz da marca, os valores e a qualidade sejam mantidos. Isso inclui a definição de pontos de revisão humana obrigatórios e a capacitação das equipes para editar e refinar o output da IA.
  • Priorizar a Autenticidade: A IA pode gerar conteúdo, mas a autenticidade vem da experiência humana e da conexão emocional. As marcas devem focar em usar a IA para tarefas repetitivas e de baixo valor, liberando os criadores humanos para se concentrarem em histórias impactantes e conteúdo que ressoe profundamente com o público.
  • Transparência com o Consumidor: Considerar a possibilidade de ser transparente sobre o uso de IA na criação de conteúdo, especialmente se isso puder gerar confiança. Em alguns casos, a honestidade sobre como a tecnologia é empregada pode ser um diferencial.
  • Investir em Talentos Híbridos: Desenvolver equipes com habilidades híbridas, onde profissionais de marketing entendam tanto as capacidades da IA quanto a arte da criação de conteúdo. A combinação de expertise tecnológica e criatividade humana será a chave para o sucesso no futuro do marketing.

Fontes consultadas

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