EUA propõem tarifas de até 37,5% ao Brasil por práticas comerciais e trabalho forçado
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs tarifas adicionais de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. Esta nova proposta se soma a uma tarifa anterior de 25% por supostas práticas comerciais desleais, elevando a potencial sobretaxa total para 37,5% em algumas exportações.
O comércio entre Brasil e Estados Unidos enfrenta uma escalada de tensões com a recente proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de impor tarifas adicionais de 12,5% sobre produtos brasileiros. A justificativa para esta nova sobretaxa é a suposta falha do Brasil em combater efetivamente o trabalho forçado em suas cadeias de produção. Esta medida se soma a uma proposta anterior de 25% sobre importações brasileiras, motivada por alegadas práticas comerciais desleais, elevando a potencial taxação total para até 37,5% em alguns produtos. A decisão final sobre a aplicação dessas tarifas, que pode ter um impacto significativo nas exportações brasileiras, está prevista para ser anunciada pelo presidente Donald Trump até 15 de julho.
O que mudou na prática
A recente proposta do USTR é o resultado de uma investigação iniciada em março de 2026, que avaliou 60 economias, incluindo o Brasil, quanto à eficácia de suas proibições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. O relatório preliminar divulgado em 2 de junho de 2026 concluiu que o Brasil, entre outros países, não possui um regime legal explícito e eficaz para impedir a entrada de mercadorias produzidas sob essas condições em seu mercado.
Para as economias que, segundo o USTR, falham em impor e fiscalizar proibições contra bens de trabalho forçado, a proposta é de uma tarifa adicional de 12,5%. Este grupo inclui Brasil, Argentina, China, Japão, Reino Unido e Rússia. Outros países, como Canadá e União Europeia, que possuem mecanismos legais para impedir a importação de produtos feitos com trabalho forçado, podem ser taxados em 10%.
Esta nova tarifa se sobrepõe a uma investigação anterior, também sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros devido a supostas práticas comerciais desleais. Entre as alegações, os EUA citam o teto tarifário médio brasileiro, que é significativamente maior que o americano, e até mesmo o sistema Pix como uma vantagem comercial.
Com a combinação dessas duas propostas, as exportações brasileiras para os EUA podem ser alvo de uma sobretaxa total de 37,5%. Setores como carne bovina, alumínio, algodão, café e arroz foram citados no relatório como áreas onde o suposto trabalho forçado foi identificado.
O governo brasileiro, por sua vez, manifestou “profunda discordância” com as conclusões do USTR, classificando-as como “absurdas” e “mentiras”. O Palácio do Planalto argumenta que o Brasil é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como referência no combate ao trabalho forçado e que a medida americana desvirtua um tema sensível para justificar protecionismo unilateral.
Impacto e por que importa para decisões de negócio
Para empresas brasileiras com forte presença no mercado americano ou exposição cambial, o cenário é de incerteza e potencial aumento de custos. A imposição dessas tarifas tornaria os produtos brasileiros menos competitivos nos EUA, podendo resultar em perda de mercado e redução de receitas. Exportadores de carne bovina, alumínio, algodão, café e arroz, que já estavam sob pressão, enfrentarão um desafio ainda maior.
A ameaça de tarifas combinadas de 37,5% exige que as empresas reavaliem suas estratégias de exportação, buscando diversificar mercados ou absorver parte dos custos, o que impactaria suas margens de lucro. A incerteza regulatória também pode desestimular investimentos e parcerias comerciais.
Além do impacto direto nas exportações, a tensão comercial pode influenciar o câmbio, com o real brasileiro potencialmente se desvalorizando frente ao dólar, afetando empresas com dívidas em moeda estrangeira ou que dependem de importações de insumos. A discussão sobre trabalho forçado também adiciona uma camada de risco reputacional para empresas que não demonstrarem conformidade rigorosa com padrões éticos em suas cadeias de suprimentos.
O que monitorar e próximos passos
O principal ponto a monitorar é a decisão final do presidente Donald Trump, esperada até 15 de julho de 2026. O governo brasileiro tem buscado diálogo com autoridades americanas e membros do Congresso dos EUA para tentar reverter ou mitigar as tarifas. Uma audiência pública sobre o caso do trabalho forçado está marcada para 7 de julho, um dia após o encerramento do prazo para contribuições na consulta pública.
Empresas brasileiras devem:
- Revisar cadeias de suprimentos: Garantir a conformidade com as normas internacionais de trabalho, especialmente em setores sob escrutínio.
- Diversificar mercados: Reduzir a dependência do mercado americano, explorando novas oportunidades em outras regiões.
- Avaliar custos: Calcular o impacto potencial das tarifas nos preços de exportação e nas margens de lucro.
- Engajamento com o governo: Apoiar os esforços diplomáticos do governo brasileiro e participar de associações setoriais para defender os interesses do comércio exterior.
A evolução das negociações e a decisão final do governo americano determinarão o cenário para o comércio bilateral nos próximos meses, exigindo agilidade e adaptação por parte das empresas brasileiras.