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Geopolítica 15 de junho de 2026 às 11:00 · Redação FWD

Estados Unidos propõem tarifas adicionais ao Brasil por trabalho forçado, somando-se a ameaças anteriores

Os Estados Unidos propuseram tarifas adicionais de 12,5% sobre importações de 60 economias, incluindo o Brasil, sob alegação de falha no combate ao trabalho forçado. Esta nova ameaça soma-se à proposta anterior de 25% sobre produtos brasileiros por práticas comerciais discriminatórias, incluindo o Pix.

Estados Unidos propõem tarifas adicionais ao Brasil por trabalho forçado, somando-se a ameaças anteriores
Foto: www.kaboompics.com no Pexels

As tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos se intensificaram com a recente proposta do governo norte-americano de impor tarifas adicionais de 12,5% sobre importações de 60 economias, incluindo o Brasil, sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. Esta nova medida se soma a uma ameaça anterior de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, motivada por supostas práticas comerciais “discriminatórias”, que incluíam o sistema de pagamentos instantâneos Pix. Em resposta, o Ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, declarou nesta segunda-feira que o país utilizará seus “argumentos mais fortes” para combater as tarifas propostas, expressando a esperança de que a medida não entre em vigor.

O que mudou na prática

A proposta da Representação Comercial dos EUA (USTR) de aplicar uma tarifa de 12,5% a países que, segundo a avaliação americana, não impõem ou não fiscalizam efetivamente a proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado, representa uma nova camada de pressão sobre o comércio exterior brasileiro. Esta tarifa é distinta daquela de 25% que já havia sido proposta em uma investigação separada, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que mirava práticas comerciais e o sistema Pix, alegando que ele desfavorece empresas americanas de cartões de crédito.

Com a nova proposta, o Brasil poderia enfrentar uma tarifa combinada de até 37,5% sobre alguns produtos exportados para os EUA, caso ambas as medidas sejam implementadas. O USTR argumenta que a falta de fiscalização adequada sobre o trabalho forçado permite que empresas nesses países produzam bens a custos mais baixos, distorcendo as condições de mercado para as empresas americanas. A lista de países afetados pela tarifa de 12,5% inclui grandes parceiros comerciais como China, Japão e Coreia do Sul, enquanto outros, como Canadá, México e União Europeia, enfrentariam uma taxa de 10% por terem adotado medidas parciais ou compromissos contra o trabalho forçado.

O governo brasileiro, por sua vez, contesta as alegações de práticas comerciais desleais e de que o Pix prejudicaria empresas americanas. O Ministro Durigan ressaltou que o Brasil defenderá o país “até o fim” e que o Presidente Lula pode enviar uma carta ou ligar para o Presidente Trump sobre a questão tarifária. Negociadores brasileiros buscam um acordo tarifário até 15 de julho, prazo estabelecido pelo USTR para uma decisão, embora haja esperança de estender essa data.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

A imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, um dos principais parceiros comerciais do Brasil, pode ter um impacto significativo nas empresas brasileiras com atuação internacional ou exposição cambial. Em 2025, os EUA foram o segundo maior destino das exportações brasileiras, totalizando US$ 38 bilhões. O aumento dos custos de exportação pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano, afetando setores exportadores e a balança comercial do país.

Para as empresas, a incerteza regulatória e a possibilidade de tarifas mais altas exigem uma revisão estratégica das cadeias de suprimentos e dos mercados-alvo. Exportadores de commodities e produtos manufaturados devem reavaliar seus modelos de precificação e buscar diversificação de mercados para mitigar riscos. A ameaça ao Pix, um sistema de pagamentos instantâneos amplamente adotado no Brasil, também levanta preocupações para fintechs e bancos brasileiros, que poderiam enfrentar maiores custos de conformidade e pressão de correspondentes americanos para monitorar os fluxos do Pix.

Além disso, a escalada das tensões comerciais pode desestimular investimentos e gerar volatilidade no câmbio, impactando empresas com dívidas em moeda estrangeira ou que dependem de importações. O cenário de “guerra tarifária” também pode levar o Brasil a fortalecer laços comerciais com outros parceiros, como a China, que já é o maior destino das exportações brasileiras.

O que monitorar e próximos passos

Empresas brasileiras devem monitorar de perto as negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, especialmente em relação ao prazo final de 15 de julho para a decisão sobre as tarifas. Qualquer extensão desse prazo ou avanço nas discussões pode indicar uma desescalada ou a busca por um compromisso. É crucial acompanhar os comunicados da USTR e do Ministério da Fazenda brasileiro.

Outro ponto de atenção é a evolução da retórica e das ações do governo americano em relação à “Lei de Comércio dos EUA, Seção 301”, que tem sido utilizada para justificar as tarifas. As empresas devem estar preparadas para cenários de aumento de custos de importação nos EUA e considerar estratégias de hedge cambial para proteger suas operações. A diversificação de mercados e a busca por novos acordos comerciais podem ser alternativas para reduzir a dependência do mercado americano.

Internamente, a posição do Banco Central do Brasil sobre a autonomia regulatória do Pix também será um fator a observar, dada a pressão dos EUA sobre o sistema de pagamentos. A capacidade do governo brasileiro de apresentar argumentos sólidos e negociar eficazmente será determinante para o desfecho dessas tensões comerciais e para a estabilidade do ambiente de negócios no país.

Fontes consultadas

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