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Geopolítica 16 de junho de 2026 às 11:00 · Redação FWD

Brasil estreia em feira de tecnologia na China, buscando diversificar laços e impulsionar inovação

O Brasil fez sua estreia na 12ª Feira Internacional de Tecnologia da China (CSITF) em Xangai, de 11 a 13 de junho, marcando um passo significativo para diversificar sua pauta de exportações e fortalecer a cooperação tecnológica com o maior parceiro comercial. A iniciativa visa posicionar o país além das commodities, explorando oportunidades em setores como agricultura, energia, biotecnologia e economia digital, com potencial impacto para empresas brasileiras com foco em.

Brasil estreia em feira de tecnologia na China, buscando diversificar laços e impulsionar inovação
Foto: Peter Xie no Pexels

O Brasil realizou sua primeira participação oficial na 12ª Feira Internacional de Tecnologia da China (CSITF), que ocorreu em Xangai entre 11 e 13 de junho de 2026. Este marco representa um esforço estratégico do país para expandir sua agenda de inovação e cooperação tecnológica com a China, seu principal parceiro comercial, buscando ir além do tradicional intercâmbio de commodities. A presença brasileira na feira reflete uma ambição de diversificar a pauta exportadora e fortalecer os laços bilaterais em áreas de alto valor agregado.

O que mudou na prática

A estreia brasileira na CSITF 2026 foi organizada pelo Centro do Brasil em Xangai, com a participação destacada dos estados de Mato Grosso e Santa Catarina. Um estande de 54 metros quadrados na área internacional do evento foi dedicado a apresentar as demandas tecnológicas, vantagens industriais e oportunidades de cooperação em diversos setores. Entre as áreas enfatizadas, estão a agricultura, indústria, energia, biotecnologia e inovação.

Tradicionalmente, a relação comercial entre Brasil e China tem sido fortemente baseada na exportação de produtos agrícolas e minerais por parte do Brasil. No entanto, a participação na CSITF sinaliza uma mudança de foco, buscando apresentar ao público chinês uma imagem mais abrangente do Brasil, que inclui seu potencial em inovação e desenvolvimento sustentável. A coordenadora do Centro do Brasil em Xangai, Wu Jie, destacou que a demanda brasileira por soluções tecnológicas chinesas tem crescido significativamente, com governos locais e empresas brasileiras procurando parceiros para implementar projetos no mercado nacional.

Além da feira, há um movimento mais amplo de fortalecimento da cooperação científica e tecnológica. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo, tem intensificado projetos com instituições chinesas em áreas como inteligência artificial, energia e saúde. Adicionalmente, líderes regionais brasileiros, como a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, têm defendido que a cooperação bilateral se estenda para além das grandes capitais e portos, alcançando cidades do interior com potencial industrial, logístico, educacional e tecnológico.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

Para as empresas brasileiras, a ampliação da agenda de inovação com a China abre novas e significativas oportunidades de negócio. A diversificação da pauta exportadora, com a inclusão de produtos e serviços de tecnologia, pode reduzir a dependência do Brasil em relação às commodities e aumentar a resiliência econômica do país. Empresas dos setores de agronegócio, energia renovável, biotecnologia e tecnologia da informação, em particular, podem encontrar novos mercados e parceiros para desenvolvimento conjunto de projetos.

A busca por soluções tecnológicas chinesas por parte de empresas e governos brasileiros pode gerar um fluxo de investimentos e parcerias estratégicas. Isso é crucial para o Brasil, que busca modernizar sua infraestrutura e processos produtivos. A cooperação em áreas como biologia sintética e biocombustíveis, onde ambos os países possuem vantagens complementares, pode impulsionar o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos com potencial global.

Este movimento também reforça a credibilidade do Brasil como um player no cenário tecnológico e de inovação, não apenas como fornecedor de matérias-primas. Para empresas com presença internacional ou exposição cambial, a diversificação dos mercados e a entrada em setores de maior valor agregado podem mitigar riscos associados à volatilidade dos preços de commodities e às flutuações cambiais. A China, sendo o maior parceiro comercial do Brasil e um dos líderes globais em tecnologia, oferece um ambiente propício para o crescimento e a internacionalização de startups e empresas inovadoras brasileiras.

O que monitorar e próximos passos

Empresas brasileiras devem monitorar de perto os desdobramentos dessa aproximação tecnológica. É fundamental observar a concretização de acordos e projetos de cooperação, bem como as políticas de incentivo que podem surgir para facilitar o intercâmbio de tecnologia e o investimento em inovação. A participação em futuras feiras e missões comerciais focadas em tecnologia na China será um indicador importante do avanço dessa agenda.

Os próximos passos para as empresas incluem a identificação de nichos de mercado e tecnologias complementares na China, a prospecção de parceiros estratégicos e a adaptação de produtos e serviços para atender às demandas do mercado chinês. A colaboração acadêmica e a formação de talentos também serão cruciais para sustentar essa agenda de inovação a longo prazo. A expansão da cooperação para regiões do interior do Brasil, como defendido por líderes locais, pode abrir ainda mais portas para empresas que buscam novas oportunidades de crescimento e desenvolvimento.

Em um cenário geopolítico global cada vez mais complexo, aprofundar a cooperação tecnológica com a China permite ao Brasil fortalecer sua posição e diversificar suas alianças, contribuindo para um desenvolvimento econômico mais robusto e inovador.

Fontes consultadas

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