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Geopolítica 16 de junho de 2026 às 11:00 · Redação FWD

EUA propõem novas tarifas ao Brasil, elevando pressão sobre exportações e comércio digital

Os Estados Unidos propuseram a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, que podem somar até 37,5% em algumas categorias. As justificativas incluem supostas práticas de trabalho forçado e violações concorrenciais relacionadas ao comércio digital e pagamentos eletrônicos, como o Pix. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que mais da metade das exportações brasileiras para os EUA pode ser impactada.

EUA propõem novas tarifas ao Brasil, elevando pressão sobre exportações e comércio digital
Foto: www.kaboompics.com no Pexels

Os Estados Unidos propuseram a imposição de novas tarifas sobre uma gama de produtos brasileiros, com potencial para atingir até 37,5% em certas categorias. As justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abrangem desde supostas práticas de trabalho forçado até violações concorrenciais no comércio digital e nos serviços de pagamentos eletrônicos, como o Pix. Esta movimentação representa uma escalada nas tensões comerciais entre os dois países e exige atenção imediata das empresas brasileiras com exposição ao mercado norte-americano.

O que mudou na prática

A proposta do USTR, que se somaria a ameaças tarifárias anteriores, detalha duas frentes principais de taxação. Primeiro, uma tarifa de 12,5% é sugerida para produtos brasileiros sob a alegação de práticas de trabalho forçado, inserindo o Brasil em uma apuração que investiga 59 países. Segundo, uma tarifa adicional de 25% foi proposta com base em supostas violações concorrenciais. Estas violações estariam relacionadas a decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, regras de pagamento eletrônico (com menção explícita ao Pix), tarifas preferenciais consideradas injustas, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

As novas propostas surgem após uma investigação comercial conduzida pelo USTR, que concluiu que políticas do governo brasileiro estariam em desacordo com as práticas comerciais justas defendidas pelos EUA. A decisão final sobre a implementação dessas tarifas cabe ao presidente dos Estados Unidos e é esperada até 15 de julho. Caso aprovadas, as medidas podem entrar em vigor imediatamente.

Impacto e por que importa para decisões de negócio

Embora o impacto macroeconômico geral para o Brasil possa ser limitado, dado que os EUA representam atualmente cerca de 10% das exportações brasileiras, setores específicos podem ser significativamente afetados. Luis Otavio Leal, economista-chefe da G5 Partners, indicou que, no passado, os Estados Unidos eram um destino muito mais relevante, respondendo por aproximadamente 25% das exportações brasileiras. Ele ressalta que, mesmo com as tarifas, muitos itens podem ser excluídos, resultando em um impacto macroeconômico quase nulo.

No entanto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que a parcela das exportações brasileiras submetidas a alguma taxação adicional poderia chegar a 54,1% do total, caso as medidas setoriais da Seção 232 já em vigor sejam consideradas. Isso indica que mais da metade dos produtos exportados para os EUA estaria sujeita a custos adicionais, prejudicando as cadeias produtivas e a competitividade.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) já expressou preocupação, defendendo o diálogo entre os governos para evitar a imposição das tarifas. A inclusão de temas como comércio digital e pagamentos eletrônicos nas justificativas para as tarifas sinaliza uma nova frente de disputa, que pode afetar empresas de tecnologia e fintechs brasileiras que operam ou planejam expandir para o mercado americano. A menção ao Pix, em particular, demonstra a atenção dos EUA às inovações brasileiras no setor financeiro e sua potencial interpretação como vantagem concorrencial desleal.

Essa postura mais assertiva dos EUA ocorre em um contexto de relações já tensas entre Brasil e Estados Unidos desde o ano passado, e se alinha à estratégia americana de expandir sua presença e enfrentar “influências estrangeiras” na América Latina, como destacado em relatórios de segurança nacional.

O que monitorar e próximos passos

Empresas brasileiras com operações de exportação para os EUA devem monitorar de perto os desdobramentos até a decisão final do presidente americano, prevista para 15 de julho. É crucial avaliar a exposição de seus produtos às categorias tarifárias propostas e considerar estratégias de diversificação de mercados ou de renegociação de contratos.

O governo brasileiro, por sua vez, tem sinalizado a busca por fortalecer laços comerciais com outros parceiros, como a China, em resposta às ameaças tarifárias dos EUA. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil busca diversificar seus parceiros comerciais e destinos de exportação para reduzir dependências globais.

Adicionalmente, as empresas devem estar atentas às discussões sobre regulação do comércio digital e pagamentos eletrônicos, buscando entender como suas operações podem ser interpretadas no cenário internacional e se preparando para possíveis adequações. A continuidade do diálogo entre os governos será fundamental para mitigar os impactos e buscar soluções negociadas que preservem o acesso ao mercado norte-americano.

Fontes consultadas

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