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Geopolítica 16 de junho de 2026 às 11:00 · Redação FWD

EUA propõem tarifa de 25% sobre ampla gama de produtos brasileiros após investigação da USTR

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) concluiu uma investigação sob a Seção 301, determinando que diversas políticas comerciais do Brasil são "irrazoáveis ou discriminatórias". Como resultado, o USTR propôs a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros, com exceção de bens já sujeitos a tarifas da Seção 232, como aço e alumínio.

EUA propõem tarifa de 25% sobre ampla gama de produtos brasileiros após investigação da USTR
Foto: Kampus Production no Pexels

O cenário do comércio internacional entre Brasil e Estados Unidos registra um novo capítulo de tensão. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anunciou, no início de junho de 2026, a conclusão de uma investigação abrangente sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A determinação do USTR aponta que uma série de atos, políticas e práticas do Brasil são consideradas “irrazoáveis ou discriminatórias” e que “oneram ou restringem o comércio dos EUA”. Em resposta a essas descobertas, o USTR propôs a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma vasta gama de produtos brasileiros. Esta proposta está atualmente em fase de consulta pública, com prazo final para comentários em 1º de julho de 2026, e uma decisão final esperada até 15 de julho de 2026.

O que mudou na prática

A principal mudança reside na formalização de uma proposta de tarifa de 25% que abrange uma ampla cesta de produtos brasileiros, diferenciando-se de medidas tarifárias anteriores. É crucial notar que esta nova proposta exclui explicitamente produtos que já estão sujeitos a tarifas sob a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, como o aço, o alumínio, o cobre e certos equipamentos pesados. Isso significa que setores como o siderúrgico e o de alumínio, que já enfrentam tarifas elevadas (em alguns casos, de 50%) impostas anteriormente pelos EUA, não serão diretamente afetados por esta nova camada tarifária, mas outros setores serão.

A investigação da Seção 301 do USTR analisou seis áreas específicas das políticas brasileiras, incluindo: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, aplicação ineficaz de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. A abrangência dessas preocupações indica uma visão mais holística dos EUA sobre as práticas comerciais brasileiras, indo além de disputas setoriais pontuais.

O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, já expressou “profunda preocupação” com a decisão do USTR e indicou que avaliará todas as medidas possíveis no âmbito do comércio internacional para mitigar os efeitos prejudiciais, incluindo um possível recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Impacto e por que importa para decisões de negócio

A imposição de uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros pode ter um impacto significativo nas empresas com foco em exportação para os EUA ou que dependem de cadeias de suprimentos que passam pelo Brasil. Para exportadores brasileiros, a tarifa representa um aumento substancial nos custos, tornando seus produtos menos competitivos no mercado americano. Isso pode levar a uma redução nas margens de lucro ou à necessidade de repassar os custos aos consumidores, o que pode diminuir a demanda.

Empresas que atuam nos setores de máquinas e equipamentos, produtos manufaturados, e até mesmo alguns produtos agrícolas que não se enquadram nas isenções já existentes, podem ser as mais afetadas. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), por exemplo, já alertou que, embora as receitas do setor possam crescer devido à demanda doméstica, as tarifas podem frear as ambições globais do Brasil.

Para empresas brasileiras com presença internacional, a incerteza regulatória e a escalada das tensões comerciais podem gerar volatilidade cambial, impactando os custos de importação de insumos e o valor das receitas de exportação. A diversificação de mercados, que já era uma estratégia importante, torna-se ainda mais crítica. Empresas que dependem do mercado americano para uma parcela significativa de suas vendas precisarão reavaliar suas estratégias de mercado, buscando novos destinos para seus produtos ou adaptando suas operações para o mercado doméstico.

Além do impacto direto nas exportações, a medida pode influenciar a percepção de risco do Brasil como parceiro comercial, potencialmente afetando investimentos estrangeiros diretos e o acesso a financiamento internacional. A discussão sobre práticas de comércio digital, propriedade intelectual e desmatamento também pode levar a um escrutínio maior sobre as operações de empresas brasileiras que atuam nessas áreas, exigindo maior conformidade e transparência.

O que monitorar e próximos passos

O período de consulta pública é crucial. Empresas e associações setoriais brasileiras devem engajar-se ativamente, apresentando seus argumentos e dados ao USTR para tentar influenciar a decisão final. A articulação do governo brasileiro, tanto em nível bilateral quanto multilateral (via OMC), será fundamental para buscar uma solução negociada ou contestar as medidas unilateralmente impostas pelos EUA.

É essencial monitorar a lista final de produtos afetados pelas tarifas, que será divulgada após o encerramento do processo de consulta. As empresas devem revisar suas cadeias de suprimentos e contratos de exportação, avaliando o impacto financeiro imediato e planejando cenários de contingência. A busca por novos mercados, especialmente na América Latina, Europa e Ásia, deve ser intensificada como estratégia de mitigação de risco.

Além disso, a evolução das negociações e o posicionamento do governo dos EUA em relação às seis áreas de preocupação levantadas pelo USTR (comércio digital, tarifas preferenciais, anticorrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento) devem ser acompanhados de perto. Mudanças nas políticas brasileiras nessas áreas podem se tornar pré-requisitos para a remoção ou atenuação das tarifas. A capacidade de adaptação e a agilidade na resposta serão determinantes para a resiliência das empresas brasileiras diante deste novo desafio comercial.

Fontes consultadas

#us-brazil-trade#tariffs#ustr#section-301#trade-policy#export

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