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Finanças 17 de junho de 2026 às 14:00 · Redação FWD

Copom e Fed decidem juros em super quarta, com expectativas divergentes para o brasil e eua

Nesta Super Quarta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil e o Federal Reserve (Fed) dos EUA anunciam suas decisões sobre as taxas de juros. O mercado brasileiro precifica um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, impulsionado por um acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã que aliviou os preços do petróleo.

Copom e Fed decidem juros em super quarta, com expectativas divergentes para o brasil e eua
Foto: Mike van Schoonderwalt no Pexels

Nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, o cenário financeiro global se volta para as decisões de política monetária do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil e do Federal Open Market Committee (FOMC) do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos. As chamadas “Super Quartas” são momentos de alta expectativa, mas esta se destaca pelas trajetórias divergentes que os dois bancos centrais devem seguir e pelos fatores geopolíticos que influenciaram as projeções recentes.

O que mudou na prática

No Brasil, a expectativa do mercado para a decisão do Copom inverteu-se nos últimos dias. Há três dias, a probabilidade de manutenção da taxa Selic em 14,50% ao ano era de 67,8%. Contudo, essa probabilidade caiu drasticamente para 20,5%, enquanto a chance de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,25% ao ano, subiu de 31,4% para 79,0%. Essa mudança abrupta é atribuída, em grande parte, à expectativa de que a trégua entre Irã e Estados Unidos se mantenha, o que resultou na queda do preço do petróleo. O barril de Brent, que chegou a superar US$ 140 durante o conflito, opera agora próximo a US$ 79,15, o menor nível desde 4 de março.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, em sua primeira reunião sob a liderança do novo presidente Kevin Warsh, deve manter a taxa de juros inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A atenção do mercado estará voltada para o comunicado de política monetária e as projeções econômicas, que provavelmente refletirão a preocupação contínua com a inflação, exacerbada pelo conflito no Irã, e os dados robustos do mercado de trabalho norte-americano. Analistas preveem que o Fed adotará um viés mais neutro em sua comunicação, possivelmente removendo a menção a “ajustes adicionais” na taxa básica de juros, que antes indicava futuras reduções.

Impacto e por que importa

As decisões de hoje terão implicações significativas para empresas e investidores brasileiros. Para as empresas, um corte na Selic pode reduzir o custo de captação de recursos, incentivando investimentos e expansão. No entanto, a incerteza sobre a continuidade dos cortes, dada a volatilidade geopolítica e a inflação global, pode limitar o apetite por risco. A taxa de juros mais alta nos EUA, mesmo que estável, tende a atrair capital para o mercado americano, exercendo pressão sobre o real frente ao dólar e impactando as empresas com dívidas em moeda estrangeira ou que dependem de importações.

Para os investidores, a “Super Quarta” exige uma reavaliação de portfólio. A expectativa de Selic mais baixa pode tornar investimentos em renda fixa menos atrativos, direcionando o capital para a renda variável. Contudo, a cautela do Fed e a persistência da inflação nos EUA podem gerar volatilidade nos mercados globais, afetando o Ibovespa e o fluxo de capital estrangeiro para a B3. Uma pesquisa recente com gestoras revelou que a maioria está comprada em dólar e vendida em real, indicando um abandono do chamado “kit Brasil” em meio à incerteza externa e doméstica.

O acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, que influenciou a mudança de perspectiva do Copom, destaca a interconexão entre eventos geopolíticos e a política monetária. A queda nos preços do petróleo alivia a pressão inflacionária, dando mais espaço para o Banco Central brasileiro atuar. No entanto, a fragilidade de tais acordos e a necessidade de uma retomada lenta da produção em regiões afetadas mantêm um risco latente para os preços do combustível no médio prazo.

O que monitorar e próximos passos

Nos próximos meses, será crucial monitorar a evolução do acordo entre EUA e Irã e seus efeitos duradouros nos preços do petróleo. Qualquer reversão nesse cenário pode rapidamente alterar as perspectivas para a inflação global e, consequentemente, para a política monetária dos bancos centrais.

No Brasil, a comunicação do Copom sobre os próximos passos será fundamental. O mercado buscará sinais sobre a continuidade do ciclo de cortes ou uma possível pausa, especialmente em agosto. Nos EUA, o comunicado do Fed e a coletiva de imprensa de Kevin Warsh serão analisados em busca de pistas sobre a postura futura em relação aos juros, considerando a inflação e o mercado de trabalho. A remoção de “orientações futuras” sobre a política monetária, como sugerido por Warsh, pode aumentar a incerteza e a dependência dos dados econômicos a cada reunião.

Empresas devem revisar suas estratégias de hedge cambial e de gestão de dívida, considerando a volatilidade do real e o custo do capital. Investidores, por sua vez, precisam manter a atenção aos balanços corporativos e às projeções macroeconômicas para ajustar suas alocações de ativos em um ambiente de taxas de juros ainda elevadas globalmente e incertezas geopolíticas.

Fontes consultadas

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