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Finanças 23 de junho de 2026 às 14:00 · Redação FWD

Mercado financeiro eleva projeção da selic para 2026 apesar de corte recente do banco central

O mercado financeiro brasileiro, por meio da pesquisa Focus, elevou a projeção para a taxa Selic ao final de 2026 para 14%, mesmo após o Banco Central ter realizado o terceiro corte consecutivo, levando a taxa para 14,25%. A revisão reflete a persistência das pressões inflacionárias e a incerteza do cenário internacional, especialmente o conflito no Oriente Médio, impactando as decisões de investimento e o custo de capital para empresas brasileiras.

Mercado financeiro eleva projeção da selic para 2026 apesar de corte recente do banco central
Foto: Matheus Natan no Pexels

O mercado financeiro brasileiro ajustou para cima suas expectativas para a taxa Selic ao final de 2026, projetando-a em 14%, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central do Brasil na segunda-feira, 22 de junho. Esta revisão ocorre apesar de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ter reduzido a taxa básica de juros em 25 pontos-base na semana passada, para 14,25% ao ano, marcando o terceiro corte consecutivo. A mudança nas projeções reflete a percepção de persistentes pressões inflacionárias e a instabilidade do cenário geopolítico global, com o conflito no Oriente Médio sendo um fator de incerteza para as condições financeiras globais.

O que mudou na prática

A decisão do Copom de cortar a Selic para 14,25% na reunião de junho foi a terceira redução consecutiva, em linha com o objetivo de desacelerar a atividade econômica e controlar a inflação. No entanto, a ata do Copom e as projeções do mercado indicam um cenário mais complexo do que os cortes iniciais poderiam sugerir.

O mercado financeiro, que há quatro semanas projetava a Selic em 13,25% para o final de 2026, elevou essa expectativa para 14%. Paralelamente, a previsão para a inflação de 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi revisada pela 15ª vez consecutiva, passando de 5,30% para 5,33%. Para 2027, a projeção de inflação também subiu de 4,10% para 4,15%. O centro da meta oficial de inflação para 2026 é de 3% ao ano, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Essa divergência entre a ação presente do Banco Central e as expectativas futuras do mercado sinaliza uma cautela crescente. O Copom, ao justificar seu corte, citou a necessidade de focar em trazer a inflação de volta à meta em um período mais longo, estendendo seu horizonte relevante para o primeiro trimestre de 2028. Essa abordagem, considerada por alguns analistas como “dovish”, sugere uma preocupação com o risco de manter uma política monetária excessivamente apertada por muito tempo.

Impacto e por que importa

Para as empresas brasileiras, especialmente aquelas com presença internacional ou exposição cambial, essa elevação nas expectativas da Selic e da inflação tem implicações diretas. Um custo de capital mais alto, implícito em uma Selic projetada em 14%, significa que o financiamento para investimentos, expansão e capital de giro se torna mais caro. Isso pode frear planos de crescimento e reduzir a competitividade. Empresas com dívidas atreladas à Selic ou ao CDI sentirão o impacto direto nos seus custos financeiros.

O cenário de inflação persistente, com projeções acima da meta oficial, corrói o poder de compra e aumenta a incerteza sobre os custos de insumos e mão de obra. Para empresas que dependem de importações, a desvalorização esperada do real frente ao dólar, com a projeção de R$ 5,20 por dólar no final de 2026, agrava ainda mais a pressão sobre os custos.

O principal motor por trás dessa cautela e das projeções elevadas é a instabilidade geopolítica. O Banco Central explicitamente mencionou que o cenário internacional permanece incerto devido à falta de um fim claro para o conflito armado no Oriente Médio, com repercussões para as condições financeiras globais. Embora um acordo provisório entre os EUA e o Irã tenha permitido um aumento no tráfego de navios no Estreito de Ormuz, a situação ainda é volátil, e o Irã mantém controle significativo sobre a passagem. Essa volatilidade afeta os preços de energia e commodities, impactando a inflação global e, consequentemente, as decisões de política monetária em economias emergentes como o Brasil.

O que monitorar e próximos passos

Empresas devem monitorar de perto os próximos passos do Banco Central, que afirmou que as futuras decisões de política dependerão dos dados econômicos recebidos. A dinâmica da inflação subjacente e a força da transmissão da política monetária serão cruciais.

Além disso, a evolução do cenário geopolítico no Oriente Médio continuará a ser um fator determinante para os mercados de energia e para as expectativas inflacionárias globais. Qualquer escalada ou descompressão significativa na região terá impactos diretos nos custos de produção e logística para empresas brasileiras.

É fundamental que as empresas revisem suas estratégias de hedge cambial e de taxas de juros, avaliando a necessidade de proteger-se contra futuras volatilidades. A gestão de custos e a eficiência operacional tornam-se ainda mais críticas em um ambiente de inflação elevada e juros altos. A capacidade de repassar custos sem perder competitividade será um desafio constante. O acompanhamento das pesquisas Focus e dos comunicados do Copom se torna indispensável para antecipar movimentos e ajustar planos de negócios de forma proativa.

Fontes consultadas

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