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Geopolítica 23 de junho de 2026 às 11:00 · Redação FWD

Exportações brasileiras para os EUA atingem mínima histórica em meio a tarifas e incertezas

As exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram para o menor patamar em 30 anos, representando apenas 9,3% do total exportado entre agosto de 2025 e maio de 2026. A queda é atribuída às tarifas impostas pelo governo Trump e a novas propostas de taxação, gerando incerteza significativa para empresas brasileiras com exposição ao mercado norte-americano e forçando uma reavaliação das estratégias de comércio exterior.

Exportações brasileiras para os EUA atingem mínima histórica em meio a tarifas e incertezas
Foto: Kevyn Costa no Pexels

As exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram o menor patamar em 30 anos, um reflexo direto da política tarifária adotada pela administração do presidente Donald Trump e da ameaça de novas medidas protecionistas. Entre agosto de 2025 e maio de 2026, a participação dos EUA nas vendas externas do Brasil recuou para 9,3% do total, uma queda notável em comparação aos 12,4% registrados no período imediatamente anterior às tarifas. Em seu pico, em 2002, o mercado americano absorvia 26% das exportações brasileiras.

O que mudou na prática

A recente queda nas exportações brasileiras para os EUA é um desdobramento das tensões comerciais que se intensificaram nos últimos meses. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) concluiu uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que, segundo o relatório, oneram ou restringem o comércio norte-americano. Entre os pontos citados estão o sistema de pagamentos Pix, questões relacionadas ao desmatamento ilegal, falhas na proteção da propriedade intelectual e problemas na aplicação de leis anticorrupção.

Como resposta a essa investigação, a administração Trump propôs a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. Além disso, uma sobretaxa específica de 12,5% foi recomendada para 60 países, incluindo o Brasil. Embora haja uma lista de exceções que abrange 666 produtos considerados estratégicos para a economia norte-americana ou cuja produção interna é insuficiente, como carne, frutas, café e aeronaves, a nova taxação poderá atingir até 45,8% das exportações brasileiras destinadas aos EUA, com base no fluxo comercial de 2024. O governo federal brasileiro estima um impacto menor, de cerca de 21%.

As negociações entre os dois países para mitigar os impactos dessas taxações terminaram sem consenso em meados de junho, com a criação de um grupo de trabalho para continuar o diálogo. A decisão final sobre as tarifas caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após uma fase de consulta pública que se estende até 15 de julho.

Impacto e por que importa

Para as empresas brasileiras, a mínima histórica nas exportações para os EUA e a iminência de novas tarifas representam um desafio significativo. A incerteza regulatória e a possibilidade de custos adicionais de exportação podem afetar a competitividade de produtos brasileiros no mercado americano. Setores não contemplados pelas exceções tarifárias podem enfrentar perdas de mercado e a necessidade de reestruturar suas cadeias de suprimentos e estratégias de vendas.

Essa situação também reflete uma mudança estrutural na balança comercial brasileira. Ao longo das últimas décadas, a pauta exportadora do Brasil tem se direcionado cada vez mais para a China, especialmente em commodities. A aceleração da queda das exportações para os EUA, no entanto, é um indicativo do impacto direto das barreiras comerciais. Enquanto isso, a China continua a ser o maior parceiro comercial do Brasil, com a corrente de comércio bilateral praticamente dobrando desde 2019, atingindo US$ 171 bilhões em 2025.

Empresas brasileiras com forte exposição ao mercado dos EUA precisarão reavaliar seus planos de negócios, considerando a diversificação de mercados e a busca por novos acordos comerciais. A aprovação recente, pelo Senado Federal, de acordos de livre comércio do Mercosul com Singapura e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) abre novas frentes para exportações brasileiras, oferecendo alternativas importantes em meio às tensões com os EUA.

O que monitorar e próximos passos

Empresas brasileiras devem monitorar de perto os desenvolvimentos da política comercial dos EUA, especialmente a decisão final do USTR após o período de consulta pública, prevista para 15 de julho. A postura do governo brasileiro nas negociações e a busca por soluções diplomáticas também serão cruciais.

Internamente, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil) intensificará ações de inteligência de mercado para orientar empresas exportadoras sobre regras de origem, padrões técnicos e oportunidades comerciais nos novos mercados abertos pelos acordos do Mercosul. A diversificação de mercados e a adaptação a novas exigências regulatórias e tarifárias serão essenciais para mitigar os riscos e garantir a resiliência das empresas brasileiras no cenário do comércio internacional.

Fontes consultadas

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